15 DE AGOSTO, SOLENIDADE DA ASSUNÇÃO DA SANTÍSSIMA VIRGEM






O Senhor só esteve três dias no sepulcro, logo ressuscitou e subiu aos Céus. A morte da Senhora mais parece como um sono breve. E é por isso que chamamos de "dormitio" dormição. Antes de a corrupção lhe poder tocar o corpo imaculado, Deus a ressuscitou-a e glorificou-a nos Céus. A dormição, ressurreição e assunção da Virgem Santíssima o tríplice objeto da festa de hoje. Não tendo o pecado penetrado nunca na sua alma puríssima, era conveniente que o seu corpo, isento de toda mancha e do qual o Verbo se dignou encarnar, não chegasse a sofrer a corrupção do túmulo.

A 1º de novembro de 1950, o Santo Padre Pio XII definiu o dogma da Assunção da Santíssima Virgem Maria. Proclamava assim solenemente que a crença segundo a qual Maria, ao fim da sua vida terrestre, foi leva em corpo e alma a glória do Céu, faz realmente parte do depósito da fé, recebido dos Apóstolos. "Bendita entre todas as mulheres", em razão de sua maternidade divina, a Virgem Imaculada, que desde a sua conceição tivera o privilégio de ser isenta do pecado original, não devia conhecer a corrupção do túmulo.

Para evitar qualquer dado impreciso, o Papa absteve-se inteiramente de determinar o modo e as circunstâncias de tempo e lugar em que a Assunção deveria ter-se realizado: somente o fato da Assunção, em corpo e alma, à glória ao Céu, constitui objeto da definição.

Na liturgia encontra-se o culto da Assunção desde o século VI no Oriente. Em Jerusalém, comportava uma procissão ao túmulo da Virgem. Esta procissão estendeu-se a Constantinopla. Em Roma, do século VII ao XVI constituía uma das "procissões ladainhas" e tinha lugar na basílica de Santa Maria Maior.

Epístola

Leitura do Livro de Judite (13, 22-25 e 15,10) : O Senhor te abençoou com o seu poder, porque ele por ti aniquilou os nossos inimigos. Ozias, príncipe do povo de Israel, acrescentou: Minha filha, tu és bendita do Senhor Deus altíssimo, mais que todas as mulheres da terra. Bendito seja o Senhor, criador do céu e da terra, que te guiou para cortar a cabeça de nosso maior inimigo! Ele deu neste dia tanta glória ao teu nome, que nunca o teu louvor cessará de ser celebrado pelos homens, que se lembrarão eternamente do poder do Senhor. Ante os sofrimentos e a angústia de teu povo, não poupaste a tua vida, mas salvaste-nos da ruína, em presença de nosso Deus. Quando ela lhes veio ao encontro, abençoaram-na todos a uma só voz, dizendo: Tu és a glória de Jerusalém; Tu és a alegria de Israel, tu és a honra de nosso povo.

Evangelho da Festa:


Continuação do Santo Evangelho de São Lucas (1, 41-50). Naquele tempo: Isabel foi cheia do Espírito Santo e exclamou em alta voz: Bandita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto de teu ventre. E de onde me vem a dita de que venha até a mim a mãe do meu Senhor? Eis que, logo que me soou aos ouvidos a voz da tua saudação, exultou de alegria o menino no meu seio. Bem-aventurada aquela que acreditaste; porque se cumprirão em ti as coisas que te foram ditas da parte do Senhor. Então Maria disse: A minha alma engrandece o Senhor, e meu espírito se exulta em Deus meu Salvador. Porque olhou para a humildade de sua serva, eis que por isso me proclamarão bem-aventurada todas as gerações. Porque fez em mim grandes coisas o Onipotente, e santo é seu nome. E a sua misericórdia se estende de geração e geração sobre todos os que o temem.

Lefebvre, Dom Gaspar. Missal Quotidiano e Vesperal. Bruges, Bélgica; Abadia de S. André, 1960.

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