terça-feira, 15 de março de 2016

TERÇA-FEIRA DA PAIXÃO



Como ontem, a Igreja junta a memória do Mártir a da Paixão do Senhor, reunindo a estação ao do diácono São Ciríaco, martirizado no tempo de Diocleciano.


A Epístola e o Evangelho fala-nos da Paixão do Messias e da reprovação dos Israelitas substituídos pelos gentios "Daniel que esmagou Bel e matou o dragão" é a figura do Salvador que denuncia os crimes e os pecados do mundo. Procuram os Babilônios eliminar o profeta e lançá-lo à cova dos Leões; procuram os judeus eliminar o Salvador condenando-oà morte, mas jesus assim como Daniel confia no Senhor e Deus que não os abandonam, mas pelo contrário os ama e procura de todas as formas os livrar das mãos dos perversos. "E se em Babilônia, os que tentaram perder Daniel, foram eles mesmo lançados as feras e perdidos", também o povo deicida não ficou sem pagar com usura o seu crime; quarenta anos mais tarde as legiões romanas cercaram Jerusalém e à fizeram perecer a fome e a espada um milhão de judeus. Com temor da justiça divina, pereceremos na prática expiatória do jejum, afim de nos tornarmos dignos da graça divina e das recompensas eternas.


Epístola

Leitura do profeta Daniel (14, 27 e 28-42) Naqueles dias: Quando os babilônios souberam, ficaram sumamente indignados, e amotinaram-se contra o rei aos gritos de O rei tornou-se judeu! Destruiu Bel; e (agora) fez perecer o dragão e matar os sacerdotes. Vieram à presença do rei e disseram-lhe: Entrega-nos Daniel; do contrário, nós te mataremos, bem como toda a tua família. Diante da violência com que o ameaçavam, o rei viu-se forçado a entregar-lhes Daniel, que eles jogaram à cova dos leões, onde permaneceu seis dias. Na cova havia sete leões, aos quais davam cotidianamente dois corpos (humanos) e dois carneiros. Porém, daquela vez, nada lhes foi distribuído, a fim de que devorassem Daniel. Ora, o profeta Habacuc vivia naquele tempo na Judéia. Acabava de cozinhar um caldo e picava pão dentro dele numa panela, para levá-lo aos ceifadores no campo. Mas um anjo do Senhor disse-lhe: Leva esta refeição à Babilônia, a Daniel, que se encontra na cova dos leões. Senhor, disse Habacuc, nunca vi Babilônia, e não conheço essa cova. Então o anjo, segurando-o pelo alto da cabeça, transportou-o pelos cabelos, num fôlego, até Babilônia, em cima da cova. Daniel, Daniel (chamou), toma a refeição que Deus te envia. E Daniel respondeu: Ó Deus, vós pensastes em mim! Vós não abandonastes os que vos amam! Depois disso pôs-se a comer, enquanto o anjo do Senhor transportava de volta Habacuc a seu domicílio. Ao sétimo dia veio o rei chorar Daniel. Ao acercar-se da cova, porém, olhou para dentro e aí avistou Daniel sentado. E bem alto exclamou: Vós sois grande, Senhor, Deus de Daniel. Não existe outro Deus além de vós! Mandou retirá-lo da cova dos leões e lá jogou todos aqueles que haviam tentado eliminá-lo, os quais foram imediatamente devorados, sob seus olhos. Então disse o rei: Que todos os habitantes da terra reverenciem o Deus de Daniel, porque é um salvador que opera sinais e prodígios em toda a terra, e salvou Daniel da cova dos leões.

+ Sequência do Santo Evangélho segundo São João: Naquele tempo, Jesus percorria a Galiléia. Ele não queria deter-se na Judéia, porque os judeus procuravam tirar-lhe a vida. Aproximava-se a festa dos judeus chamada dos Tabernáculos. Seus irmãos disseram-lhe: Parte daqui e vai para a Judéia, a fim de que também os teus discípulos vejam as obras que fazes. Pois quem deseja ser conhecido em público não faz coisa alguma ocultamente. Já que fazes essas obras, revela-te ao mundo. Com efeito, nem mesmo os seus irmãos acreditavam nele. Disse-lhes Jesus: O meu tempo ainda não chegou, mas para vós a hora é sempre favorável. O mundo não vos pode odiar, mas odeia-me, porque eu testemunho contra ele que as suas obras são más. Subi vós para a festa. Quanto a mim, eu não irei, porque ainda não chegou o meu tempo. Dito isto, permaneceu na Galiléia.  Mas quando os seus irmãos tinham subido, então subiu também ele à festa, não em público, mas despercebidamente. Buscavam-no os judeus durante a festa e perguntavam: Onde está ele? E na multidão só se discutia a respeito dele. Uns diziam: É homem de bem. Outros, porém, diziam: Não é; ele seduz o povo. Ninguém, contudo, ousava falar dele livremente com medo dos judeus.


Lefebvre, Dom Gaspar. Missal Quotidiano e Vesperal. Bruges, Bélgica; Abadia de S. André, 1960.

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