QUARTA-FEIRA DE PÁSCOA (OITAVA DA PÁSCOA)

Elias, O Profeta




A estação reunia-se em São Lourenço de fora dos muros. A Epístola refere-se ao testemunho que Pedro rendeu a Jesus Ressuscitado. O Evangelho conta-nos como o príncipe dos Apóstolos dirigia os companheiros nos trabalhos da pesca até a hora de chegar a cometer a grande campanha da pescaria das almas. Mais generoso que os outros, atirou-se ao mar indo de encontro ao Mestre e foi quem sacou a rede na praia a arrebentar com cento e cinqüenta e três peixes. Todos os padres são unânimes em ver nesta pesca miraculosa os novos filhos na fé, que Pedro havia de resgatar nas águas do batismo e conduzir aos pés do Senhor ressuscitado. Convidados por Deus a entrar no seu reino, comiam do pão eucarístico, a vítima da nova páscoa que os devia purificar e os regenerar.

Epístola


Leitura dos Atos dos Apóstolos (3, 13-15; e 17-19): Naqueles dias Pedro tomando a palavra disse: O Deus de Abraão, de Isaac, de Jacó, o Deus de nossos pais glorificou seu servo Jesus, que vós entregastes e negastes perante Pilatos, quando este resolvera soltá-lo. Mas vós renegastes o Santo e o Justo e pedistes que se vos desse um homicida. Matastes o Príncipe da vida, mas Deus o ressuscitou dentre os mortos: disso nós somos testemunhas. Agora, irmãos, sei que o fizestes por ignorância, como também os vossos chefes. Deus, porém, assim cumpriu o que já antes anunciara pela boca de todos os profetas: que o seu Cristo devia padecer. Arrependei-vos, portanto, e convertei-vos para serem apagados os vossos pecados.


Evangelho do dia:

Continuação do Santo Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo Segundo São João (21, 1-14): Naquele tempo: Depois disso, tornou Jesus a manifestar-se aos seus discípulos junto ao lago de Tiberíades. Manifestou-se deste modo: Estavam juntos Simão Pedro, Tomé (chamado Dídimo), Natanael (que era de Caná da Galiléia), os filhos de Zebedeu e outros dois dos seus discípulos. Disse-lhes Simão Pedro: Vou pescar. Responderam-lhe eles: Também nós vamos contigo. Partiram e entraram na barca. Naquela noite, porém, nada apanharam. Chegada a manhã, Jesus estava na praia. Todavia, os discípulos não o reconheceram. Perguntou-lhes Jesus: Amigos, não tendes acaso alguma coisa para comer? Não, responderam-lhe. Disse-lhes ele: Lançai a rede ao lado direito da barca e achareis. Lançaram-na, e já não podiam arrastá-la por causa da grande quantidade de peixes. Então aquele discípulo, que Jesus amava, disse a Pedro: É o Senhor! Quando Simão Pedro ouviu dizer que era o Senhor, cingiu-se com a túnica (porque estava nu) e lançou-se às águas. Os outros discípulos vieram na barca, arrastando a rede dos peixes (pois não estavam longe da terra, senão cerca de duzentos côvados). Ao saltarem em terra, viram umas brasas preparadas e um peixe em cima delas, e pão. Disse-lhes Jesus: Trazei aqui alguns dos peixes que agora apanhastes. Subiu Simão Pedro e puxou a rede para a terra, cheia de cento e cinqüenta e três peixes grandes. Apesar de serem tantos, a rede não se rompeu. Disse-lhes Jesus: Vinde, comei. Nenhum dos discípulos ousou perguntar-lhe: Quem és tu?, pois bem sabiam que era o Senhor. Jesus aproximou-se, tomou o pão e lhos deu, e do mesmo modo o peixe. Era esta já a terceira vez que Jesus se manifestava aos seus discípulos, depois de ter ressuscitado.


Lefebvre, Dom Gaspar. Missal Quotidiano e Vesperal. Bruges, Bélgica; Abadia de S. André, 1960

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