I Domingo do Advento: "Vede a figueira e todas as árvores: quando começam a desabrochar, conheceis que está perto o verão". (Ev.)





Durante todo o tempo do advento a Igreja não perde de vista o duplo aparecimento do Senhor: Seu nascimento em Belém, cujo esplendor sempre atual se deve estender até o fim dos tempos, e seu regresso no dia do Juízo final para "condenar às chamas os pecadores e convidar os justos à bem-aventurança" (Hino de matinas). A missa do dia de hoje fala-nos destas duas vindas de Jesus: de misericórdia (1ª vinda) e da justiça (2ª vinda). Alguns passos referem-se indiferentemente a ambas (Intróito, Oração, Gradual, Alleluia), outros fazem apenas alusão ao nascimento do Salvador na humildade do presépio (comunhão, Post-comunhão), e outras finalmente falam de sua vinda como rei em todo o esplendor de seu poder e majestade (Epístola e Evangelho). Os acolhimentos que fizemos a Jesus, agora que ele nos vem salvar, ditará o que ele nos há de fazer quando ele nos vier julgar. Preparemo-nos, portanto, para a festa do Natal por meio de santas expiações e pela emenda de nossas vidas, para estarmos preparados para o julgamento final do qual dependerá, por toda eternidade, o nosso destino. Tenhamos confiança, pois "nenhum dos que esperam em Cristo será confundido" (Intróito, Gradual, Ofertório).


Era na basílica de Santa Maria Maior que todo o povo romano estacionava no primeiro domingo do Advento, para assistir a missa solene celebrada pelo Papa. Escolhia-se essa Igreja por ter sido Maria quem nos deu Jesus e por se conservarem aí as relíquias do presépio no qual a Santíssima Virgem colocou seu divino filho.

Epístola


Leitura da Epístola de São Paulo Apóstolo aos Romanos (13, 11-14) . Irmãos: Sabeis que isso é tanto mais importante porque sabeis em que tempo vivemos. Já é hora de despertardes do sono. A salvação está mais perto do que quando abraçamos a fé. A noite vai adiantada, e o dia vem chegando. Despojemo-nos das obras das trevas e vistamo-nos das armas da luz. Comportemo-nos honestamente, como em pleno dia: nada de orgias, nada de bebedeira; nada de desonestidades nem dissoluções; nada de contendas, nada de ciúmes. Ao contrário, revesti-vos do Senhor Jesus Cristo e não façais caso da carne nem lhe satisfaçais aos apetites.


Evangelho de Domingo:
Continuação do Santo Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas (21, 25-33): Naquele tempo: Disse Jesus a seus díscípulos: Haverá sinais no sol, na lua e nas estrelas. Na terra a aflição e a angústia apoderar-se-ão das nações pelo bramido do mar e das ondas. Os homens definharão de medo, na expectativa dos males que devem sobrevir a toda a terra. As próprias forças dos céus serão abaladas.
Então verão o Filho do Homem vir sobre uma nuvem com grande glória e majestade.
Quando começarem a acontecer estas coisas, reanimai-vos e levantai as vossas cabeças; porque se aproxima a vossa libertação. Acrescentou ainda esta comparação: Olhai para a figueira e para as demais árvores. Quando elas lançam os brotos, vós julgais que está perto o verão. Assim também, quando virdes que vão sucedendo estas coisas, sabereis que está perto o Reino de Deus. Em verdade vos declaro: não passará esta geração sem que tudo isto se cumpra. Passarão o céu e a terra, mas as minhas palavras não passarão.

Lefebvre, Dom Gaspar. Missal Quotidiano e Vesperal. Bruges, Bélgica; Abadia de S. André, 1960.

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