Liturgia Católica II: A quaresma (Parte I)

O mais antigo ciclo do ano eclesiástico é o ciclo Pascal. O seu centro é a festa da páscoa. Começa no domingo da setuagésima e termina no sábado depois de pentecostes.
O tempo antes da páscoa tem o caráter de penitência, que se mostra gradualmente, cada vez com mais rigor. Começa modestamente nos três domingos antequaresmais, aumenta na quaresma, cresce no tempo da paixão, torna-se mais intenso no Domingo de Ramos e alcança o auge no tríduo sacro da semana santa.

O tempo antequaresmal abrange os domingos da septuagésima, sexagésima e quinquagésima. Setuagésima é propriamente o dia setuagésimo; mas designa também tôda a época de 70 dias. Dominica in septuagesima (Missal) significa o primeiro domingo na época de 70 dias. No rito grego são realmente 10 semanas, portanto 70 dias de preparação para a festa da ressurreição. Na Igreja romana o nome não corresponde ao número, pois que são só 63 dias até à Páscoa.

Talvez o nome setuagésima tenha sido adotado do Oriente ou tenha sido formado por analogia corn quadragésima, primeiro quinquagésima, depois sexagésima e seluagésima, para designar o respectivo aumento de uma ou duas ou três semanas de jejum. Estes três domingos já existiam no século VI.

Neste tempo a penitência é moderada. Só o canto do aleluia emudece como também o Te Deum e o Gloria da missa. A leitura do ofício tira-se do primeiro livro da sagrada escritura, porque o pecado de Adão tornou necessário o Redentor e porque em março principiava o ano civil, ao qual se acomodava a Igreja.

Durante o tempo antequaresmal multiplicam-se os divertimentos de carnaval, muitas vêzes ofensivos à religião. Para reparar ao divino Coração de Jesus as muitas injúrias, é permitido celebrar um triduo eucaristico no domingo da quinquagésima e nos dois dias seguintes, ou nos domingos da septuagésima ou sexagésima e dias seguintes. Quem visitar o SS. Sacramento nesta ocasião, comungar e rezar na intenção do papa, pode ganhar uma indulgência plenária. (Bened. XIV.)

4. A quarta-feira de cinzas. Nome e história. O nome tem o seu fundamento na bênção da cinza, feita de ramos do ano anterior. A distribuição da cinza tem a sua origem no antigo rito de impor neste dia cinza aos penitentes públicos. Tornou-se, poréns, geral para todos os fiéis desde o fim do século XI, e é uma lembrança da humildade e da morte. Começa neste dia o jejum eclesiástico da quaresma.

Fonte: Curso de Liturgia - 2ª Edição - Pe. João Batista Reus, S. J. - Ed Vozes Limitada - Petrópolis - Rj 1944

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