segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

Liturgia Católica II: A Reforma Litúrgica (Parte VI)

O novo florescimento da vida eclesial que havia começado na época barroca foi interrompido no século XVIII pelo racionalismo frio do Iluminismo. Não se fez caso da liturgia tradicional, pensou-se que não correspondia suficientemente com os problemas concretos da época e se exageraram as formas de piedade populares. Este primeiro desmantelamento da liturgia tradicional resultou tanto mais grave quanto mais o poder do Estado tomou partido pelas Luzes (“josefismo") e muitos bispos se contaminaram com o espírito do século.

Em muitos lugares, se suprimiram diversas formas tradicionais da missa, em grande parte pela força bruta que o Estado exerceu, mesmo contra a vontade popular. Assim, por exemplo, nos países renanos16 as missas gregorianas cantadas pelos fiéis durante muitos séculos foram proibidas e substituídas à força pela chamada Missa Maior alemã. Mais tarde, as antigas formas de devoção desgraçadamente não puderam mais ser reanimadas.

Na época do Iluminismo, a missa era vista como um meio de formação moral; daí a rejeição do latim como língua litúrgica. A Igreja, prolongação do braço secular, tinha recebido do Estado a missão de formar o povo, no intuito de suscitar súditos fiéis, de maneira que os padres estavam obrigados a realizar, dos púlpitos, funções que não tinham nada a ver com seu ministério, tais como explicar as leis do Estado ou as ordens da polícia e exortar à obediência.

Não faltaram as experiências litúrgicas, sobretudo no relativo à distribuição dos sacramentos. Mas estas inovações não conseguiram se manter durante muito tempo. Assemelham-se enormemente às de nossos tempos, que têm por objeto o homem e seus problemas (sociais). Assim, por exemplo, Vitus Winter, um dos reformadores da era das Luzes, exige que sejam eliminadas todas as orações “que fazem que o homem tudo espere de Deus e não se sinta independente”. Mais ainda, segundo ele seria necessário suprimir todas as orações que contivessem expressões orientais e bíblicas. De fato, os novos textos que se compuseram, se caracterizavam por um tom moralizador.

Com acerto, pode-se afirmar que as raízes principais da desolação litúrgica atual têm sua origem no Iluminismo. Muitas das idéias desta época não chegaram a amadurecer até os nossos dias em que vivemos uma nova época das Luzes.

Fonte: A Reforma Litúrgica Romana - Monsenhor Klaus Gamber - Fundador do Instituto - Tradução por Luís Augusto Rodrigues Domingues (Teresina, PI - 2009) - Litúrgico de Ratisbona - Revisão por Edilberto Alves da Silva

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