Liturgia Católica II: A reforma litúrgica (Parte IV)

Lutero se deu conta da importância destes esforços litúrgicos e continuou-os. Ele não inventou o cântico alemão, simplesmente descobriu a necessidade de pôr à disposição dos fiéis os textos da missa em sua língua materna.

Por positivos que possam ter sido alguns destes aspectos, encontramos aqui também uma raiz suplementar da desolação litúrgica atual. Muitas vezes os cânticos eram equivocados quanto a seu valor dogmático e artístico; sobretudo porque tinham nascido da piedade, substituindo cada vez mais os cânticos latinos clássicos da missa, até acabarem por eliminá-los quase por completo, como vemos hoje em dia. A este primeiro “movimento litúrgico” do final da idade média, assim como aos esforços de radical renovação propostos por Lutero e outros reformadores, responderam para cortar esta corrente, as rigorosas prescrições do Concílio de Trento relativas à missa, em particular tudo o que diz respeito à proibição de empregar a língua vernácula.

Os padres conciliares reclamaram uma nova edição obrigatória dos livros litúrgicos que, no concernente ao missal romano, foi realizado em 1570 por São Pio V. A partir desse momento existe um organismo particular, a Congregação dos Ritos, que foi a encarregada de velar para que as rubricas, estritamente prescritas, fossem respeitadas. A reforma de São Pio V não criou nada novo. Contentou-se com estabelecer uma versão uniforme do missal, eliminando as inovações, que se tinham introduzido nele ao longo dos séculos. Ao mesmo tempo, foi bastante tolerante, deixando intactos os ritos antigos, com pelo menos duzentos anos de idade.

Globalmente considerada esta reforma, qualquer que tenha sido sua necessidade, dadas as circunstâncias, representava uma fixação das formas litúrgicas em um ponto de seu desenvolvimento, aonde haviam chegado, sem deixar-lhes possibilidade de continuar organicamente sua evolução. Mais cedo ou mais tarde se devia chegar a uma revisão radical. Porém antes houve, seguindo ao Concílio de Trento, um florescimento da vida eclesial na época do Barroco; última época na qual o Ocidente permaneceu católico e se beneficiou de uma cultura unitária.

Fonte: A Reforma Litúrgica Romana - Monsenhor Klaus Gamber - Fundador do Instituto - Tradução por Luís Augusto Rodrigues Domingues (Teresina, PI - 2009) - Litúrgico de Ratisbona - Revisão por Edilberto Alves da Silva

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