Catecismo Romano: "Subiu aos céus e está sentado a direita de Deus Pai Todo-Poderoso" (Parte I)

Ao contemplar, cheio do Espírito de Deus, a ascensão de Nosso Senhor, o profeta Davi exorta o mundo inteiro a celebrar seu triunfo, em transporte de suma alegria e satisfação. "Nações todas, diz ele, batei palmas, louvai a Deus em cantos de alegria! Subiu Deus no meio das aclamações" (Sal 46,6-2).

A explicação deste sexto artigo, cujo objeto versa este Grandioso Mistério, deve pois começar pela primeira parte, e descortinar toda a sua significação.

A respeito de Jesus Cristo, devem os fiéis crer sem a menor dúvida, que ele, consumar o mistério de nossa Redenção, subiu aos céus enquanto homem, com corpo e alma; em quanto Deus, nunca lá se ausentou, pois que enche todos os lugares com sua Divindade.

Todavia, Cristo subiu aos céus por virtude própria, não arrebatado por força estranha, como Elias que fora arrebatado num carro de fogo, nem como Habacuc ou o diácono Filipe que, levados dos ares por uma força divina, venceram as distâncias de terras de terras longíquas.

Entretanto não subiu aos céus só como Deus por sua própria virtude da Onipotência divina, mas também em sua condição de homem. Isso não poderia acontecer por força da natureza; mas, pela virtude que estava munida, podia a alma gloriosa de Cristo mover o corpo a seu agrado. Tendo já a posse da glória, o corpo obedecia sem dificuldade, a direção que a alma dava a seus movimentos. Desta maneira é que acreditamos que Cristo subiu aos céus, por virtude própria, como Deus e como homem.

Na segunda parte do artigo vem as palavras: "Está sentado a direita de Deus Pai". Esta expressão encerra uma figura de linguagem, muito usada nas escrituras. Para maior facilidade de compreensão, atribuímos a Deus afetos e membros humanos, apesar de não podermos imaginar nada de corpóreo em Deus, porque é espírito.

Mas, como nas relações sociais julgamos dar maior honra a quem colocamos à direita, assim aplicamos o mesmo princípio as relações do céu. Confessamos que está a direita do Pai, para exprimir a glória que Cristo, como homem, alcançou acima de todas as criaturas.

O "estar sentado" não exprime aqui uma postura do corpo; põe em evidência a posse segura e inabalável do régio poder e de sua glória infinita, que ele recebeu de seu Pai.

Disso fala o Apóstolo: "Ressuscitou-o da morte, e colocou-o a sua direita no céu, acima de todos os principados e potestades, virtudes e dominações, e de todas as dignidades que possa haver não só neste mundo, mas também no mundo futuro. Pôs-lhes aos pés todas as criaturas" (Efe 1,20).

Destas palavras inferimos que tal glória é tão própria e particular do Senhor, que não pode convir em nenhuma outra natureza criada. Eis por que declara o Apóstolo em outra passagem: "A qual os anjos disse jamais: Senta a minha direita?" (Heb 1,13).

(Fonte: Catecismo da Igreja Católica - 1962 - Ed. Vozes)

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