Teologia Ascética e Mística: Disposições Necessárias para bem receber os sacramentos

Como a quantidade de graça produzida pelos sacramentos depende juntamente de Deus e de nós, vejamos como podemos acrescentá-la tanto duma parte como da outra.

A) Deus é livre, sem dúvida, na distribuição dos seus favores: pode, pois, nos sacramentos, conceder mais ou menos graça, conforme os desígnios da sua sabedoria e bondade. Mas há leis que Ele mesmo fixou, e às quais se digna submeter-se. Assim, por exemplo, declara-nos, vezes sem conta, que não recusará nada à oração bem feita: "Pedi e recebereis, buscaio e encontrareis, batei e abris-se-vos-à: petite et accipietis, quaerite et invenietis, pulsate et aperietur vobis"(João 16, 23); sobretudo, se ela se apoia nos merecimentos infinitos de Jesus: "Em verdade, em verdade vos digo, tudo o que pedirdes a meu Pai em meu nome, Ele vo-lo dará: Amen, amen dico vobis, si quid petieritis Patrem in nomine meo, dabit vobis". Se pois, oramos com humildade e fervor, em união com Jesus, para obteremos, nos momentos da recepção de um sacramentos, maior abundância de graça, alcançá-lo-emos.

B) Da nossa parte, duas disposições contribuem para nos fazerem receber graça sacramental mais abundante: santos desejos antes de receber os sacramentos e fevor no momento da recepção.

a) O desejo ardente de receber um sacramento, com todos os seus frutos, abre e dilata a nossa alma. É uma das aplicações do principio geral posto por Nosso Senhor: "Bem-aventurados os que tem fome e sede de santidade, porque ele serão fartos: Beati qui esuriunt et sittiunt justitiam, quoniam ipsi saturabuntur"(Mateus 5, 6). Ter fome e sede de comunhão, da confissão e da absolvição, é abrir mais largamente a alma as comunicações divinas; e então Deus saciará as nossas almas famintas: "Esurientes implevit bonis" (Lucas 1,53). Sejamos, pois, como Daniel, homem de desejos, e suspiremos pelas fontes de água viva que são os sacramentos.

b)O fervor não fará senão aumentar esta dilatação da alma. Pois, que outra coisa é o fervor senão a disposição  generosa de nada recusar a Deus, de o deixar atuar na plenitude de sua virtude e de colaborar com Ele com toda a nossa energia? Ora esta disposição cava e dilata nossa alma, torna-a mais apta às infusões da graça, mais dócil à ação do Espírito Santo, mais ativa em lhe corresponder. Desta mútua colaboração brotam frutos abundantes de santificação.

Poderíamos acrescentar aqui que todas as condições que tornam as nossas obras mais meritórias, aperfeiçoam da mesma maneira as disposições que devemos levar à recepção dos Sacramentos, e aumentam assim a medida de graça que nos é conferida. Isto melhor se compreenderá, depois de havermos feito aplicação deste princípio à confissão e comunhão.  
 
(Fonte: Compêndio de Teologia e Ascética e Mística - AD. Tanquerey - 1961)

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