Quarta-feira da 3ª Semana da Quaresma

A estação de hoje reunia-se em São Sisto na Via Apia. Dizem algum que foi neste lugar que São Lourenço, cheio de respeito e deferência para com o sucesso de São Pedro, pediu ao Papa São Sixto a graça de acompanhar como ministro do sacrifício que o glorioso Pontífice, condenado a morte ia celebrar.
Os pagãos inscritos neste dia do catecumenato começavam a assistir até a Páscoa a doutrina da Igreja, expressa na parte da missa chamada de "missa dos catecúmenos". Assim a Epístola e o Evangelho recordam as prescrições do Decálogo e da pureza da intenção e da lealdade exigida para a reta observância dos mandamentos de Deus. Só o cenário da promulgação no Monte Sinai é o bastante por si só para nos incutir uma grande idéia deles. Mas confirmado e renovados por Cristo no espírito interior alcançaram ainda maior amplitude.  Os judeus haviam adicionado ao Decálogo tradições exclusivamente humanas, consistindo em formalidades meramente exteriores, a que davam maior importância que a própria lei de Moisés. O Senhor condena este proceder e a Igreja procura por-nos de guarda para o perigo de nos perdermos na observância de práticas e ritos exteriores  a que não corresponde com o espirito interior da caridade. É com efeito necessário que a nossa penitência, para que possa agradar a Deus, proceda de um coração a transbordar de amor de Deus e do próximo, porque é de lá que provém o mérito ou demérito das obras humanas. Por isso a mortificação corporal tenhamos grande cuidado de juntar a prática das virtudes.

Epístola
Leitura do Livro do Êxodo : Naqueles dias (20, 12-24): Honra teu pai e tua mãe, para que teus dias se prolonguem sobre a terra que te dá o Senhor, teu Deus. Não matarás. Não cometerás adultério. Não furtarás. Não levantarás falso testemunho contra teu próximo. Não cobiçarás a casa do teu próximo; não cobiçarás a mulher do teu próximo, nem seu escravo, nem sua escrava, nem seu boi, nem seu jumento, nem nada do que lhe pertence.” Diante dos trovões, das chamas, da voz da trombeta e do monte que fumegava, o povo tremia e conservava-se à distância. E disseram a Moisés: “Fala-nos tu mesmo, e te ouviremos; mas não nos fale Deus, para que não morramos.” Moisés respondeu-lhes: “Não temais, porque é para vos provar que Deus veio e para que o seu temor, sempre presente aos vossos olhos, vos preserve de pecar”. E o povo conservou-se à distância, enquanto Moisés se aproximava da nuvem onde se encontrava Deus. O Senhor disse a Moisés: “Eis o que dirás aos israelitas: vistes que vos falei dos céus. Não fareis deuses de prata, nem deuses de ouro para pôr ao meu lado. Tu me levantarás um altar de terra, sobre o qual oferecerás teus holocaustos e teus sacrifícios pacíficos, tuas ovelhas e teus bois. Em todo lugar onde eu fizer recordar o meu nome, virei a ti para te abençoar.

Evangelho do dia:
Leitura do Santo Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus (15, 1-20) : Naquele tempo: Alguns fariseus e escribas de Jerusalém vieram um dia ter com Jesus e lhe disseram: Por que transgridem teus discípulos a tradição dos antigos? Nem mesmo lavam as mãos antes de comer. Jesus respondeu-lhes: E vós, por que violais os preceitos de Deus, por causa de vossa tradição? Deus disse: Honra teu pai e tua mãe; aquele que amaldiçoar seu pai ou sua mãe será castigado de morte (Ex 20,12; 21,17). Mas vós dizeis: Aquele que disser a seu pai ou a sua mãe: aquilo com que eu vos poderia assistir, já oferecia Deus, esse já não é obrigado a socorrer de outro modo a seus pais. Assim, por causa de vossa tradição, anulais a palavra de Deus. Hipócritas! É bem de vós que fala o profeta Isaías: Este povo somente me honra com os lábios; seu coração, porém, está longe de mim. Vão é o culto que me prestam, porque ensinam preceitos que só vêm dos homens (Is 29,13). Depois, reuniu os assistentes e disse-lhes: Ouvi e compreendei. Não é aquilo que entra pela boca que mancha o homem, mas aquilo que sai dele. Eis o que mancha o homem. Então se aproximaram dele seus discípulos e disseram-lhe: Sabes que os fariseus se escandalizaram com as palavras que ouviram? Jesus respondeu: Toda planta que meu Pai celeste não plantou será arrancada pela raiz. Deixai-os. São cegos e guias de cegos. Ora, se um cego conduz a outro, tombarão ambos na mesma vala. Tomando então a palavra, Pedro disse: Explica-nos esta parábola. Jesus respondeu: Sois também vós de tão pouca compreensão? Não compreendeis que tudo o que entra pela boca vai ao ventre e depois é lançado num lugar secreto? Ao contrário, aquilo que sai da boca provém do coração, e é isso o que mancha o homem. Porque é do coração que provêm os maus pensamentos, os homicídios, os adultérios, as impurezas, os furtos, os falsos testemunhos, as calúnias. Eis o que mancha o homem. Comer, porém, sem ter lavado as mãos, isso não mancha o homem.

Lefebvre, Dom Gaspar. Missal Quotidiano e Vesperal. Bruges, Bélgica; Abadia de S. André, 1960.

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