SÁBADO DAS QUATRO TÊMPORAS DE SETEMBRO (Dia de jejum e abstinência parcial)




No dia 15 do sétimo mês do ano, os judeus celebravam a festa dos tabernáculos, precedida das expiações em que o Sumo Sacerdotes, havendo-se previamente purificado na fonte que esteve em frente ao santuário, penetrava com o sangue das vítimas no Santo dos santos e orava junto do propiciatório. O sábado das têmporas de Setembro, que outrora era o sétimo mês do ano, recorda esta dupla festa de penitência e alegria. Os profetas Miqueias, Zacarias e Daniel que se lê hoje, fala-nos do perdão que Deus nunca nega os que procuram lavar-se da mácula do pecado e imploram nas contingências, uma vez ou outra da vida, a sua proteção. A Epístola da missa de hoje (Heb. 9 2,12), mostra a nova aliança que Jesus estabeleceu entre Deus e as almas penitentes, oferecendo no verdadeiro Santo dos santos, quer dizer no Céu, o sangue fecundo que derramou no calvário. E o Evangelho de hoje (Lc 13,6-17), quer nos lembrar o milagre que o Senhor operou libertando aquela mulher das garras do demônio, diz bem os que são os sacerdotes no desempenho do seu altíssimo ministério. Por isso essa missa pode ser utilizada muito bem num dia de ordenações.

Primeira Leitura do Dia:
Leitura do livro do Levítico (23, 26-32): O Senhor disse a Moisés: “No décimo dia do sétimo mês será o dia das Expiações. Tereis uma santa assembléia: humilhareis vossas, almas e oferecereis ao Senhor sacrifícios queimados pelo fogo. Não fareis trabalho algum naquele dia, porque é um dia de expiação em que deve ser feita a expiação por vós diante do Senhor, vosso Deus. Todo aquele que se não humilhar nesse dia será cortado do meio de seu povo. E todo o que fizer nesse dia um trabalho qualquer, eu o suprimirei do meio de seu povo. Não fareis, pois, trabalho algum; esta é uma lei perpétua para vossos descendentes, em todos os lugares em que habitardes. Será para vós um sábado, um dia de repouso, e humilhareis vossas almas. No nono dia do mês, à tarde observareis um sábado, de uma tarde à tarde seguinte.
Segunda Leitura do Dia:
Leitura do Livro do Levítico (23, 39-43): No décimo quinto dia do sétimo mês, quando tiverdes colhido os produtos da terra, celebrareis uma festa ao Senhor durante sete dias. O primeiro dia será um dia de repouso, bem como o oitavo. No primeiro dia tomareis frutos de árvores formosas, folhas de palmeiras, ramos de árvores frondosas e de salgueiros da torrente; e alegrar-vos-eis durante sete dias diante do Senhor, vosso Deus. Cada ano celebrareis esta festa durante sete dias em honra do Senhor. Esta é uma lei perpétua para vossos descendentes. Celebrá-la-eis no sétimo mês. Habitareis em barracas de ramos durante sete dias: todo homem da geração de Israel habitará em barracas de ramos, para que saibam os vossos descendentes que eu fiz habitar os israelitas em barracas de ramos, quando os tirei do Egito. Eu sou o Senhor, vosso Deus.”
Terceira Leitura do Dia:
Leitura do Livro Miquéias (7, 14,16; 18-20): Conduzi com o cajado o vosso povo, o rebanho de vossa herança que se encontra espalhado pelas brenhas, para o meio de vergéis; que ele paste como outrora em Basã e em Galaad. As nações os verão e sentirão vergonha de sua própria bravura; porão a mão na boca e seus ouvidos ficarão surdos; Qual é o Deus que, como vós, apaga a iniqüidade e perdoa o pecado do resto de seu povo, que não se ira para sempre porque prefere a misericórdia? Uma vez mais, tende piedade de nós! Esquecei as nossas faltas e jogai nossos pecados nas profundezas do mar! Mostrai a vossa fidelidade para com Jacó, e vossa piedade para com Abraão, como jurastes a nossos pais desde os tempos antigos!
Quarta Leitura do Dia:
Leitura do Livro do Profeta Zacarias (8, 14-19): Eis o que diz o Senhor dos exércitos: eu decidira fazer-vos mal quando vossos pais excitaram a minha cólera - diz o Senhor dos exércitos - e não voltei atrás! Assim, resolvo agora fazer o bem a Jerusalém e à casa de Judá. Não temais. Eis o que deveis fazer: falai a verdade uns aos outros; julgai às portas de vossas cidades segundo a justiça e a sinceridade. Não maquineis o mal em vossos corações contra o próximo; não jureis falso, porque aborreço tudo isso - oráculo do Senhor. A palavra do Senhor dos exércitos foi-me dirigida nestes termos: eis o que diz o Senhor, dos exércitos: o jejum do sexto mês como também os do quinto e do nono serão doravante para Judá dias de regozijo e de alegria, dias de festa.
Quinta Leitura do Dia:
Leitura do Profeta Daniel (3, 47-51):  Então, as chamas, subindo a quarenta e nove côvados acima da fornalha, ultrapassaram a grade e queimaram os caldeus que se achavam perto. Mas o anjo do Senhor havia descido com Azarias e seus companheiros à fornalha e afastava o fogo. Fez do centro da fogueira como um lugar onde soprasse uma brisa matinal: o fogo nem mesmo os tocava, nem lhes fazia mal algum, nem lhes causava a menor dor. Então os três jovens elevaram suas vozes em uníssono para louvar, glorificar e bendizer a Deus dentro da fornalha, neste cântico:
Hino de Daniel:



52. Sede bendito, Senhor Deus de nossos pais, digno de louvor e de eterna glória! Que seja bendito o vosso
santo nome glorioso, digno do mais alto louvor e de eterna exaltação!
53. Sede bendito no templo de vossa glória santa, digno do mais alto louvor e de eterna glória!
54. Sede bendito por penetrardes com o olhar os abismos, e por estardes sentado sobre os querubins, digno do
mais alto louvor e de eterna exaltação!
55. Sede bendito sobre vosso régio trono, digno do mais alto louvor e de eterna exaltação!
56. Sede bendito no firmamento dos céus, digno do mais alto louvor e de eterna glória!
57. Obras do Senhor, bendizei todas o Senhor, louvai-o e exaltai-o eternamente!
58. Céus, bendizei o Senhor, louvai-o e exaltai-o eternamente!
59. Anjos do Senhor, bendizei o Senhor, louvai-o e exaltai-o eternamente!
60. Águas e tudo o que está sobre os céus, bendizei o Senhor, louvai-o e exaltai-o eternamente!
61. Todos os poderes do Senhor, bendizei o Senhor, louvai-o e exaltai-o eternamente!
62. Sol e lua, bendizei o Senhor, louvai-o e exaltai-o eternamente!
63. Estrelas dos céus, bendizei o Senhor, louvai-o e exaltai-o eternamente!
64. Chuvas e orvalhos, bendizei o Senhor, louvai-o e exaltai-o eternamente!
65. Ó vós, todos os ventos, bendizei o Senhor, louvai-o e exaltai-o eternamente!
66. Fogo e calor, bendizei o Senhor, louvai-o e exaltai-o eternamente!
67. Frio e geada, bendizei o Senhor, louvai-o e exaltai-o eternamente!
68. Orvalhos e gelos, bendizei o Senhor, louvai-o e exaltai-o eternamente!
69. Frios e aragens, bendizei o Senhor, louvai-o e exaltai-o eternamente!
70. Gelos e neves, bendizei o Senhor, louvai-o e exaltai-o eternamente!
71. Noites e dias, bendizei o Senhor, louvai-o e exaltai-o eternamente!
72. Luz e trevas, bendizei o Senhor, louvai-o e exaltai-o eternamente!
73. Raios e nuvens, bendizei o Senhor, louvai-o e exaltai-o eternamente!
74. Que a terra bendiga o Senhor, e o louve e o exalte eternamente!
75. Montes e colinas, bendizei o Senhor, louvai-o e exaltai-o eternamente!
76. Tudo o que germina na terra, bendizei o Senhor, louvai-o e exaltai-o eternamente!
77. Mares e rios, bendizei o Senhor, louvai-o e exaltai-o eternamente!
78. Fontes, bendizei o Senhor, louvai-o e exaltai-o eternamente!
79. Monstros e animais que vivem nas águas, bendizei o Senhor, louvai-o e exaltai-o eternamente!
80. Pássaros todos do céu, bendizei o Senhor, louvai-o e exaltai-o eternamente!
81. Animais e rebanhos, bendizei o Senhor, louvai-o e exaltai-o eternamente!
82. E vós, homens, bendizei o Senhor, louvai-o e exaltai-o eternamente!
83. Que Israel bendiga o Senhor, e o louve e o exalte eternamente!
84. Sacerdotes, bendizei o Senhor, louvai-o e exaltai-o eternamente!
85. Vós que estais a serviço do templo, bendizei o Senhor, louvai-o e exaltai-o eternamente!
86. Espíritos e almas dos justos, bendizei o Senhor, louvai-o e exaltai-o eternamente!
87. Santos e humildes de coração, bendizei o Senhor, louvai-o e exaltai-o eternamente!
88. Ananias, Azarias e Misael, bendizei o Senhor, louvai-o e exaltai-o eternamente, porque ele nos livrou da
permanência nas trevas, salvou-nos da mão da morte; tirou-nos da fornalha ardente, e arrancou-nos do meio
das chamas.
89. Glorificai o Senhor porque ele é bom, porque eterna é a sua misericórdia.
90. Homens piedosos, bendizei o Senhor, Deus dos deuses, louvai-o, glorificai-o, porque é eterna a sua
misericórdia!
Leitura da Epístola:

Leitura da Epístola de São Paulo Apóstolo aos Hebreus (9, 2-12) - Irmãos: Consistia numa tenda: a parte anterior encerrava o candelabro e a mesa com os pães da proposição;
chamava-se Santo. Atrás do segundo véu achava-se a parte chamada Santo dos Santos. Aí estava o altar de ouro para os perfumes, e a Arca da Aliança coberta de ouro por todos os lados; dentro dela, a urna de ouro contendo o maná, a vara de Aarão que floresceu e as tábuas da aliança; em cima da arca, os querubins da glória estendendo a sombra de suas asas sobre o propiciatório. Mas não é aqui o lugar de falarmos destas coisas pormenorizadamente. Assim sendo, enquanto na primeira parte do tabernáculo entram continuamente os sacerdotes para desempenhar as funções, no segundo entra apenas o sumo sacerdote, somente uma vez ao ano, e ainda levando consigo o sangue para oferecer pelos seus próprios pecados e pelos do povo. Com o que significava o Espírito Santo que o caminho do Santo dos Santos ainda não estava livre, enquanto subsistisse o primeiro tabernáculo. Isto é também uma figura que se refere ao tempo presente, sinal de que os dons e sacrifícios que se ofereciam eram incapazes de justificar a consciência daquele que praticava o culto. Culto que consistia unicamente em comidas, bebidas e abluções diversas, ritos materiais que só podiam ter valor enquanto não fossem instituídos outros mais perfeitos. Porém, já veio Cristo, Sumo Sacerdote dos bens vindouros. E através de um tabernáculo mais excelente e mais perfeito, não construído por mãos humanas (isto é, não deste mundo), sem levar consigo o sangue de carneiros ou novilhos, mas com seu próprio sangue, entrou de uma vez por todas no santuário, adquirindo-nos uma redenção eterna.




Evangelho do dia:
Continuação do Santo Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas (13, 6-17): Naquele tempo: Disse-lhes também esta comparação: Um homem havia plantado uma figueira na sua vinha, e, indo buscar fruto, não o achou. Disse ao viticultor: - Eis que três anos há que venho procurando fruto nesta figueira e não o acho. Corta-a; para que ainda ocupa inutilmente o terreno? Mas o viticultor respondeu: - Senhor, deixa-a ainda este ano; eu lhe cavarei em redor e lhe deitarei adubo. Talvez depois disto dê frutos. Caso contrário, cortá-la-ás. Estava Jesus ensinando na sinagoga em um sábado. Havia ali uma mulher que, havia dezoito anos, era possessa de um espírito que a detinha doente: andava curvada e não podia absolutamente erguer-se. Ao vê-la, Jesus a chamou e disse-lhe: Estás livre da tua doença. Impôs-lhe as mãos e no mesmo instante ela se endireitou, glorificando a Deus. Mas o chefe da sinagoga, indignado de ver que Jesus curava no sábado, disse ao povo: São seis os dias em que se deve trabalhar; vinde, pois, nestes dias para vos curar, mas não em dia de sábado. Hipócritas!, disse-lhes o Senhor. Não desamarra cada um de vós no sábado o seu boi ou o seu jumento da manjedoura, para os levar a beber? Esta filha de Abraão, que Satanás paralisava há dezoito anos, não devia ser livre desta prisão, em dia de sábado? Ao proferir estas palavras, todos os seus adversários se encheram de confusão, ao passo que todo o povo, à vista de todos os milagres que ele realizava, se entusiasmava.

Lefebvre, Dom Gaspar. Missal Quotidiano e Vesperal. Bruges, Bélgica; Abadia de S. André, 1960.

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