Liturgia Católica II: O TEMPO DA PAIXÃO (Parte I)


1. O tempo da paixão abrange as duas semanas precedentes à festa da páscoa, a semana da paixão e a semana santa. E' que nestes dias a Igreja chama a atenção dos fiéis intensivamente sobre os sofrimentos da Vítima divina. Por isso, no sábado antes do domingo da paixão, manda cobrir as cruzes e imagens dos santos no altar; suprime no oficio do tempo o Gloria Patri ao Venite, nos responsórios, ao intróito e lavabo na missa, omite o salmo Judica, a comemoração A cunctis, para não desviar a atenção dos fiéis da obra da redenção.
 
Esta simplificação do rito parece ter o seu fundamento no antigo rito, menos desenvolvido, exprime, porém, visivelmente o luto da Espôsa de Cristo sofredor.

O tempo da paixão começa duas semanas antes da festa pascal, porque duas semanas antes da páscoa israelítica principiou a sangrada paixão de Cristo pelo decreto de morte lançado contra Ele,exequível em qualquer momento. Esta sentença injusta era consequência do milagre da ressurreição de Lázaro, ocorrida duas semanas antes da páscoa, no primeiro dia do mês de nisã, na festa de novilimio.
 
A data aproximadamente consta pela fuga de Nosso Senhor de Betânia e o tempo necessário para voltar ali sem dar ensejo de executar o decreto sanguinário, partiu Nosso Senhor no domingo para Éfrem (Jo 11, 54) e 25 Km ao norte de Jerusalém (1 dia), ali permaneceu com os seus discípulos por alguns (3-4) dias; desceu depois para Jericó, onde curou o cego Bartimeu (Mc 10, 32), converteu Zaqueu (Lc 19, 1), em cuja casa se hospedou (2-3 dias) e pregou ao povo. Subiu em seguida com os romeiros pela estrada que conduzia para Jerusalém (1 dia) e no sábado esteve em Betânia (6 dias antes da páscoa. Mt 26, 6, Perk, sinopse 1934, pág 45) Por conseguinte o dia do milagre foi o primeiro dia de nisã.

A data é confirmada pela noticia do evangelho de que a páscoa estava próxima, e muitos subiram a Jerusalém para se santificar. (Jo 11,) Esta cerimônia exigia as vêzes oito dias (Nm 6, 10) e no dia 10, nosso Domingo de Ramos, já se preparavam os cordeiros.

Fonte: Curso de Liturgia - 2ª Edição - Pe. João Batista Reus, S. J. - Ed Vozes Limitada - Petrópolis - Rj 1944

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