Liturgia Católica: A Quaresma (Parte II)


BÊNÇÃO DA CINZA

1. Na bênção da cinza, que deve ser seca, e não misturada com qualquer líquido (d. 130), procede-se em geral como na bênção das velas (n. 289). O Celebrante recita de pé a antífona Exaudi nos. Vai ao meio do altar e voltado para o povo recebe de pé a cinza do dignior do clero, que se põe no segundo degrau. Se não estiver nenhum sacerdote, o Celebrante volta-se para o altar e de pé (Missale novum) impõe-se a cinzas a si mesmo, sem nada dizer. Depois recita a antífona Immutemur, etc., e impõe a cinza aos outros, dizendo: Memento homo, quia pulvis es et in pulverem reverteris. Para isso a deixa cair sobre a cabeça, aos clérigos sobre a coroa, às mulheres no cabelo que aparece na fronte perto do véu, às religiosas sobre o véu, de nenhuma maneira na testa. (Sarmento, p. 15.) (As razões são: 1. A cruz pintada na testa ocasiona facilmente, riso (experiencia teste); 

2. O contato mediato não diminui a eficácia do sacramento da ordem, nem da água benta, portanto nem da cinza). No fim lava as mãos. (Cf. Kieffer, Solans.)

Outro sacerdote revestido de sobrepeliz e estola pode ajudar o Celebrante a impor as cinzas. Além do modo solene e simples da bênção das cinzas, é permitido, conforme a sentença comum dos autores, o modo privado, por conseguinte sem se fazer a bênção necessariamente no altar. A distribuição das cinzas já bentas depois de qualquer missa ou no domingo seguinte é uma forma de aprovação desse modo privado.

O sacerdote começa neste caso pelo Dominus vobiscum, reza as quatro orações do Missal e borrifa as cinzas com água benta, omitindo as antífonas e o incenso. (Solans II, n. 515, que cita Cavaglieri, Tetamo, Falise e Appeltern.) Pode impô-la a si mesmo. Sobre o lugar e os paramentos os autores não prescrevem nada, Mas por causa desta bênção particular não se pode omitir a bênção solene nas igrejas, em que é obrigatória. (Solans, De Herdt.)

Depois da missa privada qualquer sacerdote, revestido dos santos Paramentos, pode distribuir as cinzas aos fiéis, porém não impor a si mesmo (d. 2704, 5.)

2. A cinza pode ser distribuída também no primeiro domingo da quaresma depois da missa ou independentemente dela nas Igrejas paroquiais e (com licença do ordinário, para cada caso) nos oratórios das pias uniões, capelas rurais, ou outras, em que haja retiro para operários, sob duas condições: 1.° que na quarta-feira de cinzas se cumpra todo o rito da bênção e imposição da cinza; 2.° que a cinza distribuída no domingo seja tomada da mesma cinza, empregada naquele dia (d. 4373; 4387 ad 1).

Fonte: Curso de Liturgia - 2ª Edição - Pe. João Batista Reus, S. J. - Ed Vozes Limitada - Petrópolis - Rj 1944

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