segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Liturgia Católica II: A Reforma Litúrgica (Parte V)

Concílio Vaticano II
Compreende-se que hoje exista uma certa aversão a tudo que diz respeito ao culto, como uma oposição ao Barroco. Tinham sobrecarregado as igrejas de santos e de ornamentos, e os altares de superestruturas que chegavam às abóbadas; agora se propaga a austeridade e o realismo no condicionamento de igrejas e altares. Mal sei se a cruz é tolerada nesses lugares! Se naquela época se celebravam missas com orquestras, diante do Santíssimo Sacramento exposto, em meio a inumeráveis velas e nuvens de incenso, hoje seguindo o “slogan” de “abaixo o triunfalismo”, o celebrante se coloca diante de um altar de pedra desnuda, que parece uma tumba megalítica e dirige à assembléia suas orações e palavras através de um microfone.

Para a maioria das pessoas de nossos dias, as formas do Barroco não dizem nada. Mas isso não deve nos incitar a eliminar um elemento essencial da liturgia, como é o culto a Deus. A adoração a Deus, que se manifesta mediante o culto que a assembléia lhe rende, é um dever que se impõe a toda pessoa enquanto ente social (posto que tem sido criado “comunitário”). Este é o motivo pelo qual se rende culto a Deus, não somente no cristianismo, mas também na liturgia do Templo de Jerusalém, culto em que os mesmos apóstolos continuaram participando (cf. At 2,46); e também nas distintas civilizações do mundo antigo e igualmente entre os primitivos.

Como na época do barroco o povo, ainda que vivendo a liturgia oficial em seu interior, não podia participar nela ativamente, desenvolveu novas formas populares de devoção, como a oração das Quarenta Horas ou as Flores do mês de maio. Estas formas estavam profundamente enraizadas nos costumes religiosos.

Ao mesmo tempo que a missa oficial, por sua solenidade, atraía os fiéis, estas novas formas de devoção foram, durante a Contra-Reforma, os pilares do renascimento do catolicismo. Sem dúvida, não se pode negar uma importante falta desta liturgia barroca: os sermões que se pronunciavam tinham pouca profundidade doutrinal; os dogmas centrais da fé eram deixados de lado e, em contrapartida, dava-se especial relevo a verdades periféricas.

Fonte: A Reforma Litúrgica Romana - Monsenhor Klaus Gamber - Fundador do Instituto - Tradução por Luís Augusto Rodrigues Domingues (Teresina, PI - 2009) - Litúrgico de Ratisbona - Revisão por Edilberto Alves da Silva

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