segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Liturgia Católica II: A reforma litúrgica (Parte III)

Este importante componente da missa, nós o temos perdido grandemente como conseqüência da separação entre as Igrejas do Oriente e do Ocidente. Não faz muito tempo que Romano Guardini atraiu de novo a atenção sobre a liturgia como representação em seu célebre livro “O espírito da liturgia”.

Por assim dizer, não se observa nada parecido na prática da liturgia atual. O frio sopro do realismo vai se estendendo sobre o desenvolvimento litúrgico. Para encontrar a terceira raiz da atual desolação litúrgica, é necessário remontar à época gótica e à sua piedade subjetiva. Não é ainda a participação comum no desenrolar da liturgia, que une céus e terra e nos procura a graça divina, onde se centra a liturgia; mas o fato de encontrar a Deus e sua graça na oração pessoal.

A celebração da liturgia, pouco a pouco, se foi convertendo numa tarefa que pertencia somente ao clero. Os fiéis presentes se convertiam em simples espectadores, que seguiam as cerimônias rezando e olhando. Introduziram-se, para o povo, exercícios de piedade, fora da liturgia, ditos em língua vulgar, correspondentes à chamada “religião moderna” e a um novo ideal de piedade. A ruptura entre liturgia e piedade se foi fazendo cada vez mais profunda. O coração do povo palpitava pelas cerimônias extralitúrgicas, nas quais podia participar, e em particular as numerosas procissões como a do “Corpus” nascida nesta época, e nas peregrinações que eram cada vez mais populares.

Causar-nos-á estranheza poder constatar a aparição, ao fim da idade média, de uma espécie de primeiro “movimento litúrgico”. É provável que no início do humanismo este movimento tenha tido por origem a nova percepção que os homens começavam a ter de si mesmos. Aplicaram-se com zelo à tradução em língua vulgar dos textos da missa e do ofício divino, e para este último e de forma mais particular, os hinos. Encontrou-se em Turingia, datado por volta de 1400, um “Missale vulgare”, tal como se intitula o mesmo; um missal dos fiéis, onde ao lado das leituras, se encontra também a tradução de orações e de cânticos alternados do missal romano. Seguiram-lhe outros livros análogos.

Observa-se igualmente um florescimento dos cânticos em alemão. Criam-se novos hinos em língua vulgar apropriados para ser cantados entre os cantos latinos da missa ou seguindo a estes. Assim, no Natal, depois da prosa “Grates nunc omnes”, se canta por três vezes “Louvado seja Jesus Cristo” ou também hinos populares15 entre os versículos do “Gloria”. Além disso, apareceram então novos cânticos destinados às peregrinações e aos exercícios piedosos.


Fonte: A Reforma Litúrgica Romana - Monsenhor Klaus Gamber - Fundador do Instituto - Tradução por Luís Augusto Rodrigues Domingues (Teresina, PI - 2009) - Litúrgico de Ratisbona - Revisão por Edilberto Alves da Silva

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