Catecismo Romano: Da parte dos Sacramentos (Parte XI)


Corolário: Os sacramentos da Antiga Lei - As explanações sobre o primeiro efeito dos sacramentos, qual é a graça justificante, mostram com evidência que os sacramentos da Nova Lei possuem maior virtude e sublimidade que os sacramentos da antiga lei. Estes eram elementos fracos e pobres, que santificavam os contaminados com a purificação do corpo, e não da alma. Foram, portanto, instituídos como figuras dos efeitos, que deviam produzir os nossos sacramentos.

Porém os sacramentos da nova aliança manaram do lado de Cristo, que pelo Espírito Santo se ofereceu a si mesmo sem mácula a Deus, e purificou a nossa consciência das obras mortas, para servirmos ao Deus vivo.

Desta forma, produzem a graça que significam, em virtude do sangue de Cristo. Se os compararmos com os sacramentos da antiga aliança, não só possuem maior eficácia, mas são também mais abundantes em frutos, e mais elevados em santidade.

O caráter indelével: Próprio de três sacramentos: O segundo efeito dos sacramentos não é comum a todos, mas é próprio de três somente: do Batismo, da confirmação e da Ordem. Consiste no caráter que imprime na alma.

Diz o Apóstolo: "Foi Deus quem nos ungiu, quem nos marcou com o seu selo, e pôs em nossos corações o penhor do Espírito" (II Cor 1, 21ss). Ora, com as palavras "marcou com o seu selo" designou bem claramente este caráter, cuja propriedade natural, é por selo ou fazer marca.

Caráter é pois, uma espécie de distintivo marcado na alma, que nunca pode apagar-se, e nela se conserva para sempre. Santo Agostinho faz a seguinte comparação: "Terão os sacramentos cristão menos valor, do que a marca que um soldado recebe? Quando um soldado desertor volta as fileiras, não se imprime nele uma nova marca, porque a antiga já serve de sinal para reconhecer e confirmá-lo".

Sua dupla finalidade: O caráter tem por fim capacitar-nos para a recepção ou para o exercício dos santos mistérios, e servir de distintivos para os cristãos.

O caráter batismal encerra ambos os efeitos. Dá-nos aptidão para receber os demais sacramentos, e faz com que o povo fiel se distingua dos pagãos, que não professam a fé.

O mesmo se verifica no caráter do Crisma e da Ordem. O caráter da confirmação nos arma soldados de Cristo; apresenta-nos para anunciar e defender o seu nome, para lutar contra o inimigo em nosso interior, e contra os espíritos malignos nas alturas; distingue-nos ao mesmo tempo, dos neo-batizados, que são ainda, por assim dizer, criancinhas recém-nascidas. O caráter da ordem confere o poder de fazer e administrar os sacramentos, e distingue dos fiéis os detentores de tal poder.

Por conseguinte, devemos aceitar o dogma da Santa Igreja Católica, pelo qual estes três sacramentos imprime caráter, e não podem ser jamais rejeitados.

São estes os pontos, que entram na explicação dos sacramentos em geral.

Escopo da catequese dos sacramentos: Propondo o presente tratado, os pastores farão de tudo para alcançar uma dupla finalidade. Em primeiro lugar, que os féis compreendam quanto estes dons divinos e celestiais são dignos de honra, respeito e veneração.

Em segundo lugar, que os fiéis os recebem com fé e devoção, por serem os meios que a misericórdia divina instituiu para a salvação de todos os cristãos, que se inflamem de tal desejo da perfeição cristã, que para eles seja grande perda ficarem, pro algum tempo, privados dos sacramentos, principalmente do uso tão salutar da Penitência e da Eucaristia.

Conseguirão os pastores estes dois fins, sem maior dificuldade, sem muitas vezes inculcarem aos ouvidos dos fiéis o que deixamos dito das origens divinas, e da utilidade dos sacramentos.

Primeiro que forma instituídos por Nosso Senhor e Salvador  de quem só nos pode vir o que há de mais perfeito. Depois, de que na sua administração se faz sentir a onipotência do Espírito Santo, que logo penetra o íntimo dos nossos corações com sua graça eficaz. Mai ainda, que os sacramentos são dotados de uma virtude admirável e infalível para curar as nossas almas; e que por eles chegarem até nós as imensas riquezas da Paixão de Nosso Senhor.

Por fim mostrarão os pastores que todo o edifício do cristianismo, apesar de assente no fundamente inabalável da pedra angular, , viria em grande parte a tremer e ruir por terra, se não o sustentasse de todos os lados, a pregação da palavra de Deus e dos sacramentos. Assim como os sacramentos nos fazem entrar na vida d graça, assim também são a bem dizer um alimento que nos sustenta, conserva, e faz crescer.

(Fonte: Catecismo da Igreja Católica - 1962 - Ed. Vozes)

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