quarta-feira, 7 de novembro de 2012

Catecismo Romano: Da parte dos Sacramentos (Parte X)


Prosseguindo, deve o pároco deve falar agora dos efeitos dos sacramentos.Esta explicação elucida melhor a definição de sacramento que foi acima citada (postagem anterior).

São dois os seus efeitos principais. Em primeiro lugar, pomos com razão a graça que, na linguagem dos teólogos, se chama graça justificante. Assim no-lo ensinou o Apóstolo,com a maior clareza, quando dizia que "Cristo amou a sua Igreja, e por amor a ela se entregou a si mesmo, para a santificar, purificando-a pelo banho de água em sua palavra" (Ef 5,25ss).

Modo porém, pelo qual o Sacramento produz um efeito tão grande e admirável, de sorte que, na bela frase de Santo Agostinho, a água banha o corpo, para purificar o coração" - constitui-se assim um mistério que a inteligência humana não pode jamais deslindar. 

O certo é que, por virtude da própria natureza, nenhuma coisa sensível pode atingir a alma. Pela luz da fé, sabemos todavia, que nos sacramentos se pões em ação a virtude de Deus todo poderoso; e que por essa virtude os sacramentos produzem efeitos de que as coisas sensíveis seriam incapazes por sua própria natureza.

Para remover o ânimo dos fiéis, toda a dúvida que jamais pudesse surgir a cerca deste efeito sacramental, quis a bondade de Deus que, nas primeiras administrações, os efeitos internos fossem comprovados por meio de milagres. Assim, pois, devemos crer com toda segurança, que tais efeitos se produzem interiormente, por mais que subtraiam as percepções dos nossos sentidos.

Por estes motivos, deixamos de parte que, depois do Batismo de Nosso Senhor no Jordão, os céus se abriram e o Espírito Santo apareceu em forma de pomba, para nos admitir que a sua graça nos é infundida na alma, por ocasião do banho salutar do batismo. Mas, como dizíamos, não nos detemos neste fato, porque se reporta antes é a significação e a importância do batismo, do que à administração do bos sacramentos.

Entretanto, não lemos porventura que, quando os Apóstolos receberam o Espírito Santo no Cenáculo, no dia de Pentecostes, e por sua virtude se tornaram mais fortes e animosos, para anunciar a verdade da fé, e arrostar perigos pela glorificação de Cristo(): Então se ouviu de repente, como vindo do céu, um ruído semelhante ao soprar de um vento impetuoso, e sobre eles pousaram línguas que se repartiram, como se fossem de fogo?(Atos 2, 2 ss).

Este milagre nos dá a entender que o sacramento do Santo Crisma nos confere o mesmo Espírito, e nos dá as mesmas forças (como aos Apóstolos), para que possam resistir valorosamente à carne, ao mundo e ao demônio, nossos inimigos declarados.

Milagres assim se repetiam, por algum tempo, nos primórdios da Igreja quando, os Apóstolos admiravam os sacramentos. Deixaram de ocorrer desde que a fé ficou arraigada nos corações.

(Fonte: Catecismo da Igreja Católica - 1962 - Ed. Vozes)

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