Liturgia Católica II:Preces (Parte III)


7. Exorcismos. 

1) Etimologia: Deriva-se da palavra grega exorkizo = fazer jurar alguém, adjurar (Caifás). Mas no tempo dos apóstolos se empregou também no sentido de "expulsar". (At 19, 13.) 
2) Origem: Jesus Cristo deu aos apóstolos o poder de expulsar os demônios. (Mt 10, 1.) 
3) Diferença entre a oração e exorcismo: O exorcismo efetua-se não só com orações e bênçãos, mas especialmente por uma ordem categórica dirigida ao demônio. (Exi ab eo, immunde Spiritus.) 
4) Espécies: a) O pequeno exorcismo do batismo, que já ocorre no III século; e da bênção da água e dos santos óleos na quinta-feira santa, usado já no Gelasiano. b) O grande exorcismo, prescrito no Ritual, para livrar os possessos do poder do demônio, é conhecido desde o século VIII; chama-se também solene. Seu uso depende da licença do bispo; mas também é lícito e eficaz o exorcismo privado. Exemplo: pelo uso do SS. Nome de Jesus. (Noldin, theol. mor., ed. 18, n.° 54.)

92. 8. Preces. Tais se chamam especialmente alguns versiculos que, às vêzes, se dizem antes da oração, principiando pelo Kyrie eleison (Senhor tende Piedade de nós) ou pelo Pater Noster (Pai Nosso). (Rubr. Gen. 34, 1.) São muito antigas e talvez apostólicas. Assim disse São Paulo (1 Tim 2, 1): "Insisto antes em que se façam preces, orações, funções religiosas e ações de graças por todos os homens, pelos reis e por tôdas as autoridades". Santo Ambrósio, Santo Agostinho e São João Crisóstomo são unânimes em ver neste texto da sagrada escritura a prescrição apostólica das preces públicas pelas autoridades. (Piacenza, Lit., p. 446.)

No versículo: Domine, salvam fac regem, a palavra rex significa o príncipe, qualquer que seja, ou o presidente do território. Esta interpretação é conforme ao vocábulo rex e a história do versículo. Pois o texto do breviário de Pio V:  "Dómine, salvam fac regem nostrum N.", foi mais tarde reformado para o texto moderno. É sinal de que a súplica se faz por todas as pessoas constituídas em autoridade quase real. A intenção de cada uma das preces é clara pelo teor das palavras. O versículo "Convertere Domine usquequo" tinha outrora a rubrica: "Pro paenitentibus".

 As preces dominicais rezam-se na prima e nas completas dos ofícios semiduplo e simples e das férias comuns; não se dizem durante as oitavas, ou quando é comemorado ofício duplo. Chamam-se, dominicais, porque no antigo breviário eram inseridas na prima do domingo. As preces feriais dizem-se nas laudes, horas e vésperas das vigílias comuns (Rubr. Gen. 34) e nas férias maiores, portanto no tempo do advento, da quaresma, da paixão, nas quatro têmporas de setembro, na segunda-feira das rogações. Não se omitem nas férias privilegiadas, em que é comemorado ofício duplo ou de oitava (A. B. VIII, n.° 3), que se celebra por antigo privilégio. (d. 3362.)

93. 9. O sufrágio do novo breviário foi introduzido por Pio X, que substituiu as várias comemorações de outrora por uma única. Fora do tempo do advento, da paixão e da páscoa, deve ser rezado sempre nas laudes e vésperas, exceto os duplex e dias infra octavam, embora só comemorados. Omite-se o sufrágio nos tempos mencionados, para concentrar toda a atenção em Nosso Senhor: Tu solus Sanctus, Tu solus Dominus, Tu solus Altissimus; por isso no tempo
da páscoa se reza a comemoração da cruz. Remontam os sufrágios antigos até ao tempo de Gregório Magno. (Cf. n." 844.)

Fonte: Curso de Liturgia - 2ª Edição - Pe. João Batista Reus, S. J. - Ed Vozes Limitada - Petrópolis - Rj 1944

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