segunda-feira, 3 de setembro de 2012

Liturgia Católica II: PRECES (Parte II)



87. 4. Orações. 1) A brevidade é própria da Liturgia romana; manifesta-se especialmente nas orações, que em todas as  partes da Liturgia ocorrem. O que, por exemplo, em outras Liturgias dizem em dez linhas, a romana exprime em três. 2) Estrutura. Em geral nas orações se distinguem três partes: a invocação (Deus), o motivo (qui. beatum Joseph sponsum. . .), a petição (presta). 3) O convite para a oração é Oremus; dirige-se aos fiéis. Às vezes, p. ex., nos dias de penitência, acrescenta-se: Flectamus genua..., "de joelhos". Ao ouvir Levate, "levantai-vos", todos se levantam. 4) A pessoa invocada: a maior parte das orações dirige-se a Deus Padre. Há outras, relativamente poucas, que se dirigem a Deus Filho; na Liturgia galicana este modo não era raro. Ao Espírito Santo não se dirige nenhuma (Eisenhofer, I, 205; Jungmann, p. 102), na forma de Coleta.

88. 5) A conclusão: E' longa ou breve: se na oração se mencionar o Filho divino a conclusão é Per eundem... ou Qui tecum. Se, como Pessoa, é mencionado o Espírito Santo , conclui-se: in unitate eiusdem. A conclusão breve é, p. ex., Per Christum dominum nostrum; Qui vivis et regnas in scecula sceculorum. Usa-se em geral fora da missa e do ofício divino, quando se não prescreve o contrário. Oremus diz-se na missa, se há duas ou mais orações, antes da primeira e antes da segunda, mas não das outras. A conclusão reza-se depois da primeira e mais urna vez depois da última oração; as exceções estão notadas no missal.

89. 5. As orações de forma eucarística (ação de graças). 1) Estrutura. São estas orações as mais festivas. A introdução é igual ao princípio do prefácio da missa. Compõe-se em geral de duas partes: da ação de graças e da petição; esta difere conforme a ocasião. 2) Uso. Empregam-se nos momentos mais solenes, p. ex., na ordenação de diácono, de presbítero, na sagração de bispo, na coroação de uma rainha, na bênção dos ramos, da água batismal, do círio pascal, na consagração de igrejas e altares. 3) História. São como parte muito antigas. O Leonino já consigna tais orações na colação de ordens maiores. Modelo delas é a oração eucarística da missa; prova disso é o fato de serem na Liturgia dos coptos e nestorianos estas orações interrompidas pelo Sanctus, como na missa.

90. 6. Ladainhas. 1) Etimologia: Ladainha, litania, deriva-se da palavra grega litania = oração. Já no século IV significava oração de caráter de penitência, (Propitius esto, Parce nobis, repetição do Kyrie) e passou a ter, desde o séc. VI, o sentido de procissão, em que estas invocações se repetiam.
Intercalaram-se depois nas repetições do Kyrie breves . invocações e petições, em forma de oração revezada. 2) História. Orações em forma de ladainhas eram conhecidas entre os pagãos e israelitas (SI 135), no Oriente cristão do século IV (Ektenias). No Ocidente a ladainha mais antiga e, por séculos, a única, modelo para todas as outras, é a ladainha de todos os santos, do século VI. Somente no século XVI, apareceu a ladainha lauretana. Nos últimos tempos foram aprovadas para o uso litúrgico a ladainha do S. Coração de Jesus, do SS. Nome de Jesus, de S. José.

Fonte: Curso de Liturgia - 2ª Edição - Pe. João Batista Reus, S. J. - Ed Vozes Limitada - Petrópolis - Rj 1944

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