Catecismo Romano: Da parte dos Sacramentos (Parte VII)

São José Calazans recebendo a Sagrada
Comunhão
As cerimônias sacramentais

1. Razão de ser: Temos ainda de tratar das cerimônias. Não pode omitir-se sem pecado, a não ser que haja necessidade. Contudo, em caso de omissão, devemos crer que não se reduz, de modo algum, a validade do Sacramento, porque as cerimônias não entram como partes essenciais.

Desde os primórdios da Igreja, sempre se observou o costume de administrar-se os sacramentos com certas cerimônias solenes. Primeiro, era muito conveniente usar certos ritos solenes na administração dos sacramentos, para que assim dessemos maior prova de tratarmos santamente as coisas santas.

Depois, as cerimônias tornam mais claros e quase visíveis os efeitos dos sacramentos, e incluem mais ao vivo, no ânimo dos fiéis, a noção de sua santidade.

Afinal, quando são religiosamente observadas, as cerimônias despertam nos corações sentimentos sobrenaturais, e afervoram os participante na prática da fé e da caridade.

2. Obrigação de explicá-las: Pela evidência destas razões, o pároco ajuizará quanto lhe importa instruir bem os fiéis, para que compreendam melhor as cerimônias na administração de cada sacramento.

Número dos Sacramentos:

A seguir, deve indicar-se o número dos sacramentos. Esta explicação tem a vantagem de levar o povo engrandecer a singular bondade de Deus para conosco. E ele o fará com tanto mais fervor da alma, ao reconhecer quão abundantes são os auxílios que Deus aprestou, para a nossa eterna salvação e bem-aventurança.

São sete os sacramentos da Igreja. Disso temos provas nas escrituras, na doutrina tradicional dos santos padres, e nas autoridades dos concílios.

1. Razão de serem sete: A razão de não ser maior, nem menor o seu número, podemos mostrá-la, de modo provável, por uma analogia entre a vida natural e a sobrenatural.

Para viver, conserva-se, levar uma vida útil a si mesmo e, a sociedade, precisa do homem de sete coisas: nascer, crescer, nutrir-se, curar-se, quando adoece; recuperar as forças perdidas; ser guiado na vida social, por chefes revestidos de poder e autoridade; conservar-se a si mesmo e ao gênero humano, pela legítima propagação da espécie. Todas estas funções também se adaptam, indubitavelmente, aquela outra vida pela qual, a alma vive para Deus. Desta observação se pode obviamente inserir o número dos Sacramentos.

2. Sua enumeração: O primeiro é o batismo, a bem dizer, a porta dos outros sacramentos, e pelo qual nascemos para Cristo (Jo 3,5). 

Depois vem a confirmação, por cuja virtude crescemos e nos fortalecemos na graça divina. Como observa Santo Agostinho, só depois de ser batizados Nosso Senhor disse aos apóstolos: "Deixai-vos ficar na cidade, até serem revestidos pela força que vem do alto"(Lc 24,49).

Em seguida temos a Eucaristia, alimento verdadeiramente celestial, que nutre e conserva a nossa alma, conforme disse nosso Salvador: "Minha carne é verdadeiramente comida e meu sangue verdadeiramente uma bebida"(Jo 6,46).

O quarto lugar é ocupado pela Penitência, por cuja virtude recobramos a saúde, se a tivermos perdido com as lesões do pecado. (Jo 20,22-23)

Depois, a Extrema Unção retira-nos os remanescentes do pecado, e restaura as forças da alma. Com relação a este sacramento nos declarou Santiago: "E se estiver em pecados, ser-lhe-ão remitidos". (Tg 5,15)

A seguir vem a Ordem que confere o poder de perpetuar a administração pública dos sacramentos e o exercício de todas as funções sagradas no seio da Santa Igreja.

Como derradeiro, existe o Sacramento do Matrimonio, instituído afim de que da legítima união do homem e da mulher procedam os filhos, e sejam piamente educados para o serviço de Deus, e para a conservação do gênero humano.

(Fonte: Catecismo da Igreja Católica - 1962 - Ed. Vozes)

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