Catecismo Romano: A vida eterna (Parte II)

Vida eterna:

a) Dom incomprensível -  Quando falamos de vida "bem-aventurada", basta a própria expressão para indicar quão imensa não é a felicidade dos justos na pátria celestial, e que só eles mesmos, e mais ninguém, podem compreendê-la.

Quando, para designar uma coisa empregamos termo, que é comum a muitas outras coisas, logo se vê que não há termo próprio para exprimi-la exatamente. pois bem, os termos que designam "felicidade" eternamente (por exemplo Deus, os anjos). Deste fato, é licito concluir que se trata de um estado de tal transcendência, que não podemos exprimir com um termo adequado.

b) Que a linguagem humana não pode exprimir - É fato que as Escrituras Sagradas dão ainda outros nomes a bem-aventurança celestial: Reino de Deus (Mt 6,33, 21,3; Mc 1,14; Lc 9,262; Jo 3,3ss; Ato 14,22; Gal 5,21), Reino de Cristo (Jo 18,36; Efe 5,5; Col 1,23; 2Pedr 1,11), Reino dos Céus (Mt 5, 3-20, 11,12; 13,24), Paraíso (Lc 23,43; 2Cor 12,4; Apoc 2,7; Ezeq 28,13), nova Jerusalém (Isa 52,1; Apoc 21,2-10), Casa do Pai (Jo 14,2). Mas vê-se claramente, nenhuma dessas expressões é capaz de enunciar toda a sua grandeza.

Chegando aqui, não deixem os párocos de aproveitarem a boa ocasião, de exortar os fiéis a piedade, à justiça, e ao cumprimento de todos os deveres da religião cristã, apontando-lhes as largas recompensas que se descobrem na expressão "vida eterna".

Como é do saber, a vida pertence aos maiores bens, que desejamos por instinto da natureza. Ora, se falamos de "vida eterna", é antes de tudo por esta bondade que definimos a bem-aventurança.

A vida terrena é breve e desastrosa, cheia de tantas e variadas misérias, que com mais verdade deveria se chamar de morte em vez de vida. Se, ainda assim, lhe temos maior amor do que qualquer outra coisa; será, portanto, o zelo e o ardor com que devemos procurar a vida eterna, que põe termo a todos os males, que é o remate perfeito e absoluto de todos os bens?

III Explicação real:

1. Definição: a) isenção de todo o mal - Pela doutrina dos santos padres da Igreja (Conferir Santo Agostinho em a Cidade de Deus), a felicidade da vida eterna consiste na isenção de todos os males, e na obtenção de todos os bens.

A respeito dos males, são evidentes os testemunhos das Escrituras. Está escrito no Apocalipse: "Já não terá fome, nem sede; j´não cairá sobre eles o sol, nem ardor nenhum" (Apoc 7,16; Is 49,10-33) E mais uma vez: "Deus enxugará todas as lágrimas de teus olhos. E já não haverá morte, nem luto, nem lamento, nem dor, porque passaram as provações de outrora" (Apoc 21,4).

b) posse de todos os bens - Na verdade a glória dos bem-aventurados será imensa, e abrange inúmeras espécies de real alegria e prazer. Nosso espírito não pode alcançar a grandeza desta glória, nem há possibilidade de que possa penetrar em nossos corações (Apoc 21,4). É preciso que entremos nela, isto é, no gozo do Senhor (Mt 25,21), para que, inundados desta felicidade, tenhamos plena satisfação de todos os desejos de nossa alma.

(Fonte: Catecismo da Igreja Católica - 1962 - Ed. Vozes)

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