quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Catecismo Romano: "Desceu aos infernos e ao terceiro dia ressurgiu dos mortos." (Parte I)

Se muito importa conhecer a glórias a sepultura de Jesus Cristo Nosso Senhor (Is 11,10), conforme acabamos de tratar, de maior alcance para o povo cristão é saber os nobres triunfos que ele alcançou, com a derrota do demônio, e com a tomada dos infernos.

Disso vamos ocupar-nos agora, juntamente com a Ressurreição. Poderíamos, sem dúvida, falar desta parte separadamente; mas, a exemplo dos santos padres, julgamos melhor juntá-la com a descida aos infernos.

A primeira cláusula deste artigo propõe-nos a crer que, após a morte de Cristo, Sua alma desceu aos infernos, e lá todo o tempo que o corpo esteve no sepulcro.

Com estas palavras, confessamos igualmente que a mesma pessoa de Cristo esteve nos infernos, ao mesmo tempo que jazia no túmulo. Este fato não deve causar estranhamento a ninguém. Conforme já dissemos várias vezes, a Divindade nunca se apartou da alma nem do Corpo, não obstante a separação que houve entre a alma e o corpo.

Para maior evidência deste artigo, devemos entender o significado da palavra "infernos", neste artigo. Devemos compreender também que esta palavra não designa o sepulcro como alguns asseveravam, com uma impiedade igual a própria ignorância.

No artigo anterior, vimos com efeito que Cristo Nosso Senhor fora sepultado. Ora, não havia motivo para que os Santos Apóstolos, na doutrinação da fé, repetissem a mesma verdade com outras palavras, por sinal que mais obscuras.

A expressão "infernos" designa os ocultos receptáculos onde são detidas as almas que não conseguiram a bem-aventurança do Céu.

Neste sentido, ocorrer em muitos lugares da Sagrada Escritura. Lê-se, por exemplo, no Apóstolo: "Ao nome de Jesus, deve-se dobrar reverente todos os joelhos, seja no Céu, na terra ou nos infernos" (Fil 2,10). E nos Atos dos Apóstolos atesta São Pedro que "Cristo Nosso Senhor ressuscitou, depois de vencer as dores do inferno" (Ato 2,24).

Mas esses receptáculos não são todos da mesma categoria. Um deles é a horrenda e tenebrosa prisão, em que as almas réprobas são atormentadas num fogo eterno e inextinguível (Mc 9,44ss), juntamente com os espíritos imundos. Chama-se também "geena" (Mt 5,22; 23,15-33; 25,41), e "abismo" (Apoc 9,11; 20,3). É o inferno propriamente dito.

Há também um fogo expiatório, no qual por certo tempo sofrem e se purificam as almas dos justos, até que lhes seja franqueado o acesso da Pátria eterna, onde nada de impuro pode entrar (Apoc 21,27).

Consoante as declarações dos Santos Concílios, essa verdade tem por si os testemunhos da Escritura e da Tradição Apostólica. Essa verdade deve ser defendida durante todo católico até chegarmos ao tempo em que os homens já não suportarão a sã doutrina (2Tim 4,3).

Existe, afinal, um terceiro receptáculo, em que eram recolhidas as almas justas, antes da vinda de Cristo Nosso Senhor. Ali desfrutavam um suave remanso, sem nenhuma sensação de dor. Alentavam-se com a ditosa esperança do resgate. Estas almas eleitas aguardavam o Salvador no seio de Abraão (Lc 16,22-23); foi a elas que Cristo Nosso Senhor libertou, na descida aos infernos.

(Fonte: Catecismo da Igreja Católica - 1962 - Ed. Vozes)

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