Teologia Ascética e Mística: Condições tiradas do sujeito em si mesmo.


A Pureza de intenção ou a perfeição do motivo que nos leva a operar. Para serem meritórias, basta, dizem vários teólogos, que as nossas ações sejam inspiradas por um motivo sobrenatural de temor, esperança ou amor. Santo Tomás exige, sem dúvida, que elas sejam influenciadas ao menos virtualmente pela caridade, em virtude de um ato de amor de Deus precedentemente feito, cuja influencia persevere ainda. Acrescenta, porém, quer esta condição é realizada por todos aqueles que vivem em estado de graça e praticam ato lícito:  "Habentibus caritatem omnis actus est meritorius vel demeritorius". É que, efetivamente, todo ato bom se reduz a uma virtude; ora toda a virtude se converge para a caridade, já que esta é a rainha que impera todas as virtudes, como a vontade é a rainha de todas as faculdades. A caridade, sempre ativa, orienta para Deus todos os nossos atos bons, e vivifica todas as virtudes, informando-as.

Se queremos contudo que todos os nossos atos sejam, quanto possível, meritórios, é necessário pureza de intenção muito mais perfeita e atual. A intenção é o que há de principal em nosso atos e é o olho que as ilumina e as dirige para o fim, a alma que a inspira e lhe dá o valor que tem aos olhos de Deus: "Si oculus tuus fuerit simplex, totum corpus tuum lucidum erit". Ora há três elementos que dão as nossas intenções valor especial.

Como a caridade é a rainha e a forma de todas as virtudes, todo ato inspirado pelo amor de Deus e do próximo terá muito mais merecimento que os inspirados pelo temor e pela esperança. Importa, pois, que todas as nossas ações sejam feitas por amor: deste modo ainda se convertem as mais comuns (como as refeições a aos recreios) em atos de caridade, participando do valor desta virtude, sem perderem o seu próprio; comer para refazer as forças, é um ato honesto que num cristão, que vive em graça se torna meritório; mas reparar as forças para melhor trabalhar para Deus e pelas almas, é um motivo de caridade bem superior, que nobilita este ato e lhe confere valor meritório bem maior.

(Fonte: Compêndio de Teologia e Ascética e Mística - AD. Tanquerey - 1961)

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