sexta-feira, 25 de março de 2016

05h - Jesus é conduzido a Pilatos







...O Filho do Homem será entregue aos príncipes dos sacerdotes e aos escribas. Eles o condenarão à morte. E o entregarão aos pagãos para ser exposto às suas zombarias, açoitado e crucificado;... (Mt 20, 18-19)


LEVARAM JESUS DIANTE DE PILATOS

Ligaram-no e o levaram ao governador Pilatos. (Mt 27, 2)

Da casa de Caifás conduziram Jesus ao pretório. Era de manhã cedo. Mas os judeus não entraram no pretório, para não se contaminarem e poderem comer a Páscoa. (Jo 18, 28)

JESUS, O REI DOS JUDEUS

Eis o oráculo do Senhor que se dirige a meu senhor: Assenta-te à minha direita, até que eu faça de teus inimigos o escabelo de teus pés. (Sal 109,1)

... És o rei dos judeus? Sim, respondeu-lhe Jesus. (Mt 27, 11)

Pilatos entrou no pretório, chamou Jesus e perguntou-lhe: És tu o rei dos judeus? Jesus respondeu: Dizes isso por ti mesmo, ou foram outros que to disseram de mim? Disse Pilatos: Acaso sou eu judeu? A tua nação e os sumos sacerdotes entregaram-te a mim. Que fizeste? Respondeu Jesus: O meu Reino não é deste mundo. Se o meu Reino fosse deste mundo, os meus súditos certamente teriam pelejado para que eu não fosse entregue aos judeus. Mas o meu Reino não é deste mundo. Perguntou-lhe então Pilatos: És, portanto, rei? Respondeu Jesus: Sim, eu sou rei. É para dar testemunho da verdade que nasci e vim ao mundo. Todo o que é da verdade ouve a minha voz. Disse-lhe Pilatos: Que é a verdade?... (Jo 18, 33-38)


ACUSAÇÕES FALSAS DA PARTE DOS JUDEUS

ELE, ultrajado, não retribuía com idêntico ultraje; ELE, maltratado, não proferia ameaças, mas entregava-se Àquele que julga com justiça... (1 Ped 2, 23)

... Nada respondes? Vê de quantos delitos te acusam! Mas Jesus nada mais respondeu,... (Mc 15, 4-5)

Saiu, por isso, Pilatos para ter com eles, e perguntou: Que acusação trazeis contra este homem? Responderam-lhe: Se este não fosse malfeitor, não o teríamos entregue a ti. Disse, então, Pilatos: Tomai-o e julgai-o vós mesmos segundo a vossa lei. Responderam-lhe os judeus: Não nos é permitido matar ninguém. Assim se cumpria a palavra com a qual Jesus indicou de que gênero de morte havia de morrer (Mt 20,19). (Jo, 18,19-32)


PILATOS DECLARA JESUS INOCENTE

... Cristo, o Cordeiro imaculado e sem defeito algum, aquele que foi predestinado antes da criação do mundo (1 Ped 1, 18-19)

Não acho nELE crime algum (Jo 18, 38)

Declarou Pilatos aos príncipes dos sacerdotes e ao povo: Eu não acho neste homem culpa alguma. (Lc 23, 4)

ELES CONTINUAM ACUSANDO JESUS

Vede meus inimigos, são muitos, e com ódio implacável me perseguem. (Sal 24, 19)

ELE revoluciona o povo (Lc 23, 5)

Mas eles insistiam fortemente: Ele revoluciona o povo ensinando por toda a Judéia, a começar da Galiléia até aqui. A estas palavras, Pilatos perguntou se ele era galileu. (Lc 23, 5-6)


Pai Nosso..., Ave Maria..., Glória ao Pai...
Pela sua dolorosa Paixão; tende Misericórdia de nós e do mundo inteiro.
Meu Jesus, perdão e Misericórdia, pelos méritos de Vossas santas Chagas.


            Segundo as Visões de Anna Catharina Emmerich:

Jesus é conduzido a Pilatos

           
Conduziram Jesus, entre muitas crueldades, da casa de Caifás à de Pilatos, através do trecho mais populoso da cidade, que nessa ocasião formigava de peregrinos de toda a parte do país, além de uma multidão de estrangeiros. O cortejo dirigiu-se para o norte, descendo do Monte Sião, atravessando uma rua estreita, no fundo do Templo, até o palácio e o tribunal de Pilatos, que estava situado na esquina noroeste do Templo, defronte do grande Fórum ou mercado.

         Caifás e Anás e grande número de membros do Supremo Conselho iam em vestes e festivais, à frente do cortejo; atrás dele, alguns servos traziam rolos de escritura. Seguiam-se-lhes muitos outros escribas e judeus, entre eles as falsas testemunhas e os assanhados fariseus, que foram os que mais se empenharam em acusar ao Senhor. A uma pequena distância, seguia nosso bom Senhor Jesus, conduzido pelos soldados com as cordas, cercado de soldados e dos seis agentes que estavam presentes no ato da prisão. De todos os lados afluiu o populacho, unindo-se com gritos e zombarias ao cortejo; ao longo de todo o caminho esperavam numerosos grupos de gente de povo.

         Jesus estava vestido apenas de sua túnica, toda suja de escarro e imundície. Do pescoço pendia-Lhe até os joelhos a longa corrente, de largos anéis, que, ao andar, Lhe batia dolorosamente de encontro aos joelhos. Tinha as mãos amarradas como na véspera e quatro soldados conduziam-no pelas cordas, que lhe saiam do cinturão. Estava todo desfigurado pelas crueldades, com que o haviam torturado durante a noite; andava cambaleando, cabelo e barba em desalinho, o rosto pálido, inchado e cheio de manchas escuras, causadas pelos socos. Impeliam-no com pancadas e injúrias.

Tinham instigado a muitos do populacho para escarnecê-lo, imitando-lhe a entrada triunfal no Domingo de Ramos. Aclamavam-no com todos os títulos de rei, em tom de mofa (gozação), jogavam-lhe diante dos pés pedras, pedaços de madeira, paus, trapos sujos e zombavam, em versos e motejos, de sua entrada festiva. Os soldados conduziam-no aos arrancos, sobre os obstáculos jogados no caminho; era uma crueldade sem fim.

         Não muito longe da casa de Caifás estava a dolorosa e santa Mãe de Jesus, com Madalena e João, encostados ao canto de um edifício, esperando a aproximação do cortejo. A alma de Maria estava sempre com Jesus, mas quando podia ficar também corporalmente perto dELe, não lhe dava descanso o amor, impelindo-a a seguir-Lhe o caminho e as pegadas. Depois da visita noturna ao tribunal de Caifás, ficara só pouco tempo no Cenáculo, entregue à muda dor; pois, quando Jesus foi tirado do cárcere, de madrugada, para ser apresentado ao tribunal, a Virgem SS. se levantou, cobriu-se com o manto e véu e saindo, disse a João e Madalena: “Sigamos meu Filho à casa de Pilatos, quero vê-lo com meus olhos”. Dando uma volta, chegaram assim em frente do cortejo; a SS. Virgem parara neste lugar e os outros com ela.

A santa Mãe de Jesus sabia bem o que era feito do divino Filho, que Lhe estava sempre ante os olhos da alma; mas com o olhar interior não O podia ver tão desfigurado e maltratado como na realidade estava, pela maldade e crueldade dos homens. De fato via-Lhe sempre os horríveis sofrimentos, mais inteiramente penetrados pela luz da santidade, do amor e da paciência, da vontade que se oferecia vítima pelos homens. Mas nesse momento se lhe apresentou à vista a realidade terrível e ignominiosa. Passaram diante dela os orgulhosos e assanhados inimigos de Jesus, os sumos sacerdotes do verdadeiro Deus, nas vestes santas de gala; passaram com a intenção deicida, representantes da malícia, mentira e maldição.

Os sacerdotes de Deus haviam-se tornado sacerdotes de Satanás. Que aspecto horrível! Depois o tumulto e a alegria dos judeus, todos os perjuros inimigos e acusadores e afinal Jesus, Filho de Deus e do Homem, seu filho, horrivelmente desfigurado e maltratado, amarrado, batido, empurrado, cambaleando mais do que andando, arrastado pelas cordas por cruéis carrascos, no meio de uma nuvem de injúrias e maldições. Aí, se ele não fosse o mais pobrezinho, o mais desamparado, o único que se conservava calmo, a rezar no íntimo do coração, cheio de amor, no meio dessa tempestade do inferno desencadeado, a angustiada Mãe não O teria reconhecido, naquele estado, horrivelmente desfigurado.

Quando se aproximou, vestido da túnica tão suja, a Virgem Santíssima exclamou, soluçando: “Ai de mim! É esse meu filho? Ai! É mesmo meu filho, oh! Jesus, meu Jesus!” O cortejo passou-lhe em frente; o Senhor volveu a cabeça para aquele lado, lançando um olhar comovente à sua Mãe e ela perdeu os sentidos. João e Madalena levaram-na dali, mas logo que voltou a si, fez-se conduzir por João ao palácio de Pilatos.

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