Cardeal Dom Eugênio fala sobre o Carnaval - Parte I



As leis são elaboradas e devem ser observadas possibilitando, assim, uma convivência pacífica entre os cidadãos. A sociedade é formada por pessoas com as mais diversas tendências. A sobrevivência exige um mínimo de harmonia decorrente de normas a serem cumpridas para alcançar um objetivo, indispensável à paz e ao bem-estar da comunidade. Essas considerações me vêm à mente ao aproximar-se o Carnaval. E esses festejos, dada a sua natureza e amplitude, pedem uma atenta reflexão que preserve o bom senso, a concórdia e a ordem.

Não se discute o direito às celebrações públicas e aos benefícios advindos de manifestações de alegria. Ocorre, entretanto, que, no Tríduo momesco, ao lado de aspectos até mesmo positivos, há uma incrível proliferação de espetáculos deprimentes. Acresce que as aberrações, particularmente no âmbito sexual, sucedem diante de uma platéia e são transmitidas para milhões de telespectadores. A apresentação é feita de maneira a aliciar seguidores, sem distinção de idade. E o convite aos atos, à satisfação de paixões exacerbadas, tudo é bem acobertado até por motivos culturais, que anestesiam consciências ou arrastam vontades débeis, incapazes de resistir aos atrativos do mal.

Leva-se ao mundo uma falsa imagem do Brasil, como a terra da libertinagem, das mulheres fáceis a convites inconfessáveis, ao turismo que explora sexualmente crianças, cuja iniciação começa com os desfiles carnavalescos.

Ao lado da falta de pudor, há o desrespeito aos sentimentos de milhões de brasileiros. A exploração de objetos sacros, tentativas de inseri-los em um ambiente com características luxuriosas, ferem a índole de tantos brasileiros. Por mais de uma vez, foi necessário a Arquidiocese do Rio de Janeiro apelar à Justiça para fazer respeitar os valores cristãos. Os que pensam diferentemente dos que optam pela liberdade sexual têm o direito, amparados pelas leis, de ver preservado seu modo de vida, de acordo com suas crenças.



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