Liturgia Católica II: A reforma Litúrgica (Parte VII)

A restauração que teve lugar no século XIX sob a influência de movimentos artísticos do neoromantismo e do neo-gótico constitui uma reação à influência glacial do racionalismo iluminista. Como os românticos, viu-se nas idéias da idade média o grande modelo a seguir e se intentou enxertar este rebento sobre a árvore da liturgia gravemente prejudicada.

Nasceram, então, as abadias beneditinas de Solesmes na França e as da congregação de Beuron na Alemanha. Ali se cultivou com esmero a liturgia latina e o canto gregoriano em sua forma primitiva. O movimento litúrgico dos anos vinte submerge suas raízes nestes novos centros monásticos. No princípio, somente afetou um pequeno círculo de intelectuais e uma parte da juventude estudantil e continuou ainda com o latim da Igreja.

Os esforços de Pius Parsch em favor de uma liturgia popular, durante os anos 30, são de outra índole. Caracterizam-se por uma supervalorização da participação ativa dos fiéis na missa, associada a idéias históricas freqüentemente errôneas a respeito da missa na Igreja primitiva e do condicionamento do santuário. Por influência de Pius Parsch a língua vernácula fez sua entrada na liturgia romana, ainda que a princípio tenha sido apenas como uma “via paralela” ao lado do latim do sacerdote celebrante.

Finalmente as idéias de Pius Parsch em favor de uma missa frutuosa do ponto de vista pastoral e mais próxima19 do povo, foram-nos impostas na Constituição litúrgica, não sem introduzir alguns de seus erros, como, por exemplo, a exigência de celebrar “versus populum”. Logo voltaremos sobre este tema.

Será necessário esperar que os atuais pastores, sobretudo os jovens sacerdotes que não foram educados nas formas rigorosas da liturgia, não permaneçam só nas idéias de Pius Parsch, mas que, partindo de seus pontos de vista – e estes não coincidem normalmente com as concepções católicas tradicionais – desenvolvam novas idéias para se chegar a uma missa “de acordo com os nossos tempos”. Os padres da reforma litúrgica não acreditaram que a pedra que tinham posto em marcha ia esmagar todas as formas litúrgicas existentes até hoje e inclusive a nova liturgia, que eles mesmos tinham criado.


Fonte: A Reforma Litúrgica Romana - Monsenhor Klaus Gamber - Fundador do Instituto - Tradução por Luís Augusto Rodrigues Domingues (Teresina, PI - 2009) - Litúrgico de Ratisbona - Revisão por Edilberto Alves da Silva

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