Liturgia Católica II: A Reforma Litúrgica (Parte I)


Todos os Sacramentos sofreram
alterações

A reforma litúrgica, saudada por muitos sacerdotes e leigos com muito idealismo e grandes esperanças, tem se mostrado, cada ano que passa, uma desolação litúrgica de proporções inconcebíveis. Em lugar da esperada renovação da Igreja e da vida eclesiástica, estamos assistindo a um desmantelamento dos valores da fé e da devoção, que nos tinham sido transmitidos e em lugar de uma renovação fecunda da liturgia, contemplamos uma destruição da mesma, que se tinha desenvolvido organicamente no transcurso dos séculos.

A isto se acrescenta, sob o indício de um mal entendido ecumenismo, uma tremenda aproximação às concepções do protestantismo e um distanciamento considerável das antigas Igrejas do Oriente. Isto significa que se tem abandonado uma tradição, comum até agora, entre Oriente e Ocidente. Até mesmo os padres da reforma litúrgica reconhecem que no que sucedeu não podem se livrar dos espíritos que tinham invocado. Perguntemo-nos agora onde se encontram as raízes desta desolação litúrgica. Para toda pessoa dotada de juízo, é evidente que não basta buscá-las unicamente no Concílio Vaticano II. A Constituição litúrgica de 4 de dezembro de 1963, somente constitui o resultado provisório de uma evolução, na qual os fatores que a provocaram são antigos e de diversas naturezas. Nas páginas seguintes vamos intentar descobrir cada uma destas raízes, obrigados na maior parte a nos limitar a simples indicações.

Ao contrário do que ocorre com os ritos da Igreja do Oriente, que jamais cessaram de se enriquecer, inclusive durante a idade média para logo se fixarem, a liturgia romana permaneceu através dos séculos quase inalterável em sua forma inicial, simples e austera. Em todo caso representa o rito mais antigo. Através dos tempos, muitos papas lhe acrescentaram certas modificações em sua redação, como o fez desde o princípio o Papa São Dâmaso (366-384) e sobretudo mais tarde São Gregório Magno (590-604).

Fonte: A Reforma Litúrgica Romana - Monsenhor Klaus Gamber - Fundador do Instituto - Tradução por Luís Augusto Rodrigues Domingues (Teresina, PI - 2009) - Litúrgico de Ratisbona - Revisão por Edilberto Alves da Silva

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