quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Catecismo Romano: Da parte dos Sacramentos (Parte VIII)

Diferença dos sacramentos:

1. Quanto a necessidade: Há, porém, um ponto que reclama muita atenção. É que todos os sacramentos comportam em si um virtude admirável e divina, mas nem todos são igualmente necessários, nem possuem a mesma graduação e finalidade.

Entre eles existem três que são mais necessários que os outros, embora não sejam por razões idênticas. Do batismo, por exemplo, declarou Nosso Senhor ser absolutamente necessário para todos os homens. Suas palavras sãos as seguintes: "Quem não renascer da água e do Espírito Santo, não poderá entrar no Reino de Deus" (Jo 3,5). 

A penitência só se faz necessário para aqueles que, após o batismo, tenham contraído um pecado mortal; não poderá escapar da eterna condenação, se extirparem completamente os pecados que cometeram.

Quanto a Ordem, a necessidade é absoluta, não para os fiéis individualmente, mas para toda a Igreja coletivamente.

2. Quanto a Dignidade: Se, porém, atentarmo para a dignidade dos sacramentos, a Eucaristia sobrepuja todos os mais, sendo-lhes muito superior pela santidade, número e grandeza dos seus mistérios.

Todos esses aspectos serão mais fáceis de compreender, quando a seu tempo explicarmos cada um dos seus sacramentos em particular.

Ministro dos Sacramentos:

1. O ministro divino: Agora temos que ver de quem recebemos estes sagrados e divinos mistérios. Não padece dúvida, uma dádiva preciosa cresce muito de valor; em razão da dignidade e excelência de quem faz o presente.

Nesta questão, a resposta não oferece dificuldade. Se Deus é quem justifica os homens, e os sacramentos são os maravilhosos instrumentos para se adquirir esta justificação, força é reconhecer que o único e o mesmo Deus opera, por Cristo, a justificação e produz os sacramentos.

Outra prova ainda. Os sacramentos possuem tal eficácia, que invadem os mais íntimos refolhos da alma. Ora penetrar nos corações e nas inteligências é um apanágio exclusivo da onipotência divina. Daí se conclui, portanto, que foi Deus que instituiu os sacramentos por obra de Cristo; que de nossa parte devemos crer, com inabalável constância, ser Ele que também os administra interiormente. Este é um testemunho que São João Batista declarou ter recebido do próprio Cristo. Eis suas palavras: "Aquele que me enviou a batizar em água, disse-me: Sobre quem vides descer e pairar o Espírito, este é quem batiza no Espírito Santo" (Jo 1,33).

2. O ministro humano: Deus, é pois, o autor e o ministro dito dos Sacramentos. Quis, porém, que na Igreja fossem dispensados, não pelos anjos, mas pelos homens. Para a feitura dos sacramentos, a ação dos ministros humanos não é menos que necessária do que a matéria e a forma. Assim o confirma a tradição dos Santos Padres.

Em nome de Cristo: No atos sacramental, os ministros não representam a sua própria pessoa, mas a pessoa de Cristo. Desta forma, sejam eles bons, ou sejam maus, produzem e administram validamente os sacramentos, se aplicarem a forma e a matéria que a Igreja sempre observou por instituição de Cristo, e se tiverem a intenção de fazer o que faz a Igreja na administração dos sacramentos. Por conseguinte, não há o que possa impedir o fruto da graça, salvo se as pessoas que recebem os sacramentos, quiserem por indisposição privarem-se de tão grande benefício, e resistir a ação do Espírito Santo.

Tal foi sempre a doutrina firme inabalável da Igreja. Disso temos provas evidentíssima, nas disputações que Santo Agostinho escreveu contra os Donatistas. 

(Fonte: Catecismo da Igreja Católica - 1962 - Ed. Vozes)


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