sábado, 2 de junho de 2012

FESTA DA SANTÍSSIMA TRINDADE - Iº Domingo Depois de Pentecostes





Elias, O Profeta

O Espírito Santo cujo advento celebramos no dia de Pentecostes veio nos recordar neste última parte do ano (do pentecostes ao advento, 6 meses).  O que Jesus nos ensinou já na primeira (Do advento a Santíssima Trindade 06 meses). O dogma fundamental em torno do qual todo o cristianismo gravita é este da Santíssima Trindade, de quem tudo nos vem e a todos os que receberem o sinete do seu nome deve regressar. Depois de nos lembrar no decorrer do ano litúrgico o Pai Criador, o Filho Redentor e o Espírito Santificador e regenerador das almas, a Igreja recapitula hoje antes de mais os elementos fundamentais ao grande mistério em que adoramos a Deus uno em natureza e trino em pessoas.

Depois de celebrarmos a efusão do Espírito Santo, dizia São Roberto no Século XII, festejamos logo a seguir, no Domingo a Trindade Santíssima; e é bem feita  esta escolha, porque logo após a vinda do Divino Espírito Santo começou a pregação da fé e com a pregação da Santa Fé a administração do Santo Batismo em nome do Pai, do Filho, e do Espírito Santo".

O dogma da Santíssima Trindade aparece constantemente na Liturgia da Igreja. É em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo que se começa e acaba a missa, ofícios litúrgicos e os sacramentos. Todo salmo e fecham pelo Gloria patri. Os hinos pela doxologia e todas as orações concluem em termos cheios de devoção e de ternura para com as três Pessoas divinas. O Dogma da Santíssima Trindade resplandesce ainda nos templos. Os nosso avós compraziam-se em simbolizá-los na altura, na largura e no comprimento admiravelmente proporcionados das igrejas, no coro, nas naves, no trifório, nas três portas e muitas das vezes nas três torres. Sempre em toda parte, no mais pequeno pormenor da onamentação, o número três tem lugar de honra, marca um plano refletido, um pensamento de fé na Santíssima Trindade. A iconografia cristã também nos traduz, de diferente maneira, o mesmo pensamento.

Até o Século XII era comum representar o Pai por uma mão que saia das nuvens do céu a abençoar. Nos séculos XIII e XIV começou a aparecer a face e depois o busto inteiro. A partir do século XV começou o Pai a ser representado por um ancião usando vestes pontificais. Até o século XII a segunda pessoa da Santíssima Trindade era figurada com mais freqüência pela cruz ou pelo cordeiro, ou ainda por um jovem gracioso do jeito de Apolo do paganismo. Do século XI  ao XV, é o Cristo forte, já no vigor da idade, que nos aparece. A partir do Século XVI entra o costume de lhe por a cruz e de o representar freqüentemente pelo cordeiro. - O Espírito Santo aparecia nos primeiros séculos representado pela figura mais tradicional da pomba, tocando com as asas bertas na boca do Pai e na do Filho como argumento de sua procedência. A partir do século XI é a figura de um menino que encontramos por vezes.  No século XV, a terceira da santíssima trindade, assume proporções de um homem, semelhante ao Pai e o Filho, somente com a pomba nas mãos ou na cabeça para distinguir das outras pessoas. Depois do século XVI a pomba volta a tomar o lugar exclusivo na representação do Espírito Santo.

A Geometria concorreu também para a simbologia da Santíssima Trindade. O trevo teve por sua vez lugar de relevância na simbologia tradicional, e igualmente os três círculos enlaçados com a palavra unidade inscrito pelo lugar vazio pela intercessão. Foi ainda representada por uma cabeça com três faces distintas. Urbano VIII porém, em 1628 proibiu reproduzir esta perigosa e ridícula interpretação do grande mistério do Cristianismo.

A festa da Santíssima Trindade deve a sua Origem ao fato das ordenações do Sábado das Quatro Têmporas e celebrarem a tarde e se prolongarem até de manhã, não tendo o Domingo por este motivo liturgia própria. Como todos os domingos são consagrados à Santíssima Trindade, celebra-se no primeiro depois de pentecostes a missa votiva, composta no Século VII em honra deste mistério.

Façamos hoje, conformando-nos ao espírito da liturgia, na Santíssima e Eterna Trindade e na sua indivisível unidade.

Epístola do Domingo:


Leitura da Epístola de São Paulo Apóstolo aos Romanos (Rom 2, 33-36) - Ó abismo de riqueza, de sabedoria e de ciência em Deus! Quão impenetráveis são os seus juízos e inexploráveis os seus caminhos! Quem pode compreender o pensamento do Senhor? Quem jamais foi o seu conselheiro? Quem lhe deu primeiro, para que lhe seja retribuído? Dele, por ele e para ele são todas as coisas. A ele a glória por toda a eternidade! Amém.
Evangelho de Domingo:
Continuação do Santo Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo Segundo São Mateus (28, 18-20): Naquele tempo:
Jesus, aproximando-se, lhes disse: Toda autoridade me foi dada no céu e na terra.
Ide, pois, e ensinai a todas as nações; batizai-as em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo.
Ensinai-as a observar tudo o que vos prescrevi. Eis que estou convosco todos os dias, até o fim do mundo.

Lefebvre, Dom Gaspar. Missal Quotidiano e Vesperal. Bruges, Bélgica; Abadia de S. André, 1960.

Benedicta sit sancta Trinitas atque indivisa Unitas

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