Liturgia: Missa: Terceira parte, Oblação

A terceira parte da missa é o início do sacrifício propriamente dito. Abrange: 1º a oblação, 2º o complemento da oblação.

Oblação ou Ofertório: Depois de ter se dirigido ao povo com a saudação (Dominus vobiscum), o padre diz: Oremus, Rezemus. No entanto "ninguém atende ao convite. Não se reza. Nenhuma fórmula de preces dão os livros, nem rubrica alguma, que dê a entender a existência de uma oração que se fizesse em particular, secretamente. É um hiato, uma "suspensão", e concordam os liturgistas em pensar que, outrora, tendo caído os catecúmenos, os fiéis, aconselhados pelo celebrante, entravam a orar silenciosamente, e depois, em prece solene, o padre expressava os votos de todos como fizera na coleta.

Depois disso o padre lê e o coro canta a antífona chamada ofertório. Era neste momento que outrora, cada assistente trazia a oferta com que haveria de contribuir para o sacrifício. "Ofertavam o pão e o vinho para servirem no holocausto e ser distribuídos aos fiéis pela comunhão. Mas apresentavam-se, juntamente, outros dons a favor dos pobres, das viúvas, do clero e das diferentes obras da Igreja. Por onde se vê que as ofertas de hoje, nesta altura da missa, não são apenas simples demonstração caridosas ou uma esmola qualquer. Assumem, por suas raízes na antiguidade, caráter quase sagrado: são o oferecimento que se faz em vista do sacrifício e pelo qual os fiéis participam do ato sublime que se passa no altar. O mesmo se dirá das espórtulas da missa, a respeito das quais houve tantas recriminações farisaicas e descabidas.

Enquanto os fiéis iam passando ao pé do altar trazendo a sua oferta, cantava-se um salmo. Pelo século XI, com a suspensão das ofertas, desapareceu o salmo. Só ficou, com lembrança, a antífona chamada ofertório.

Pão bento - terminadas as oblações dos fiéis, os diáconos separavam nas patenas os pães que tinham de ser consagrados e deitavam nos cálices a quantidade de vinho necessária para a comunhão. O resto ficava à parte, para receber uma benção e ser distribuído aos que não comungassem. Era destas forma que estes últimos se uniam a Santíssima Eucaristia. Os pães benzidos mas que não eram consagrados, eram chamados de "eulógias", vocábulo grego que significa benção. Antes de os comer, era preciso fazer o sinal da cruz. Em certos lugares, há vestígios deste uso, na distribuição do pão bento, feita na missa dominical.

Nos sacrifícios antigos, sempre se oferecia a Deus uma vítima, antes que fosse imolada. Ao sacrifício da missa, também convinha oblação igual. Por isso, tendo lido a antífona do Ofertório, o padre supõe, antecipado, que a vítima está presente no altar e oferece o pão como se estivesse mudado no corpo de Nosso Senhor. E trata-o, portanto de "Hóstia sem mácula" aludindo as vítimas do antigo testamento, que só serviam, nos sacrifícios se fossem imaculadas. Eis as palavras que acompanham a oblação:

P: Suscipe sancte Pater omnipotens aeterne Deus, hanc immaculatam hostiam, quam ego indignus famulus tuus offero tibi Deo meo vivo et vero, pro innumerabilibus peccatis et offensionibus et negligentiis meis, et pro omnibus circumstantibus, sed et pro omnibus fidelibus Christianis vivis atque defunctis: ut mihi et illis proficiat ad salutem in vitam aeternam. Amen.

Ao depositar no corporal a hóstia, o celebrante traça, com a patena em que ela descansa, o sinal da cruz. Quer dizer, com isso, que a vítima do Sacrifício da Missa é a mesma que a da cruz.

Consta-se de dois atos a oblação do vinho: 1 - A mistura da água com o vinho e 2 - A oblação do cálice.

Mistura da água com o vinho - O celebrante, ou nas missas solenes o diácono, derrama vinho no cálice, e o subdiácono, por sua vez, deita no mesmo algumas gotas de água que o padre benze enquanto vai rezando:

P: Deus, qui humanae substantiae dignitatem mirabiliter condidisti, et mirabilius reformasti: da nobis per hujus aquae et vini mysterium, ejus divinitatis esse consortes, qui humanitatis nostrae fieri dignatus est particeps, Jesus Christus, Filius tuus, Dominus noster: Qui tecum vivit et regnat in unitate Spiritus Sancti, Deus; per omnia saecula saeculorum. Amen.

Oblação do Cálice: O celebrante, de olhos voltados para o crucifixo, ergue então o cálice, para ofertar ao Senhor. Ao mesmo tempo, diz esta oração:

P: Offerimus tibi Domine, calicem salutaris, tuam deprecantes clementiam: ut in conspectu divinae majestatis tuae, pro nostra et totius mundi salute cum odore suavitatis ascendat. Amen.

Assim como antes o padre tratou o pão de "hóstia sem mácula", também trata o vinho de "cálice da salvação" antevendo o Sangue de Cristo que vai aparecer pela transubstanciação. Terminada a prece, o sacerdote depõe o cálice, traçando com ele um sinal da cruz, como fez com a patena na oblação do pão.

Outras orações completam a oblação do cálice e do vinho:

A oblação dos fiéis: P: In spiritu humilitatis, et in animo contrito suscipiamur a te Domine: et sic fiat sacrificium nostrum in conspectu tuo hodie, ut placeat tibi Domine Deus.

A Oração do Espírito Santo: P: Veni sanctificator omnipotens aeterne Deus, et + benedic hoc sacrificium tuo sancto nomini praeparatum.

A Incensação - A rubrica das missas solenes prescreve aqui nova incensação. O celebrante benze o incenso, enquanto diz: Per intercessionem beati Michaelis Archangeli stantis a dextris altaris incensi et ominium electórum suorum, incensum istud dignetur Dóminus benedicere, et in odorem suavitatis accipere. Per Christum Dominum nostrum. Amem.

O Lavabo: Dirige-se o padre ao lado do altar a lavar as mãos. Duas razões podem apontar o motivo desta cerimônia: a) razão mística: Nunca seria demasiada a pureza do ministro do sacrifício da missa, para tocar na divina Vítima. Era este mesmo costume entre os sacerdotes judeus: antes de se chegarem ao altar, purificavam as mãos como símbolo da inocência. - b) Razão Natural: Era necessário que o padre lavasse as mãos porque já não estavam limpas, desde que, antes de despir os catecúmenos e os penitentes, lhes tinha imposto as mãos na cabeça. Deve acompanhar esta ablução a recitação dos seguintes versículos do Salmo XXV:

P: Lavabo inter innocentes manus meas: et circumdabo altare tuum Domine. Ut audiam vocem laudis: et enarrem universa mirabilia tua. Domine dilexi decorem domus tuae, et locum habitationis gloriae tuae. Ne perdas cum impiis Deus animam meam: et cum viris sanguinum vitam meam. In quorum manibus iniquitates sunt: dextera eorum repleta est muneribus. Ego autem in innocentia mea ingressus sum: redime me, et miserere mei. Pes meus stetit in directo: in ecclesiis benedicam te Domine. Gloria Patri et Filio, et Spiritui Sancto. Sicut erat in principio, et nunc, et semper, et in saecula saeculorum. Amen.

O sacerdote voltando-se para o meio do altar, inclina-se profundamente e roga a Santíssima Trindade que aceite favorávelmente o sacrifício adorável a ela oferecido, para a glória dos santos e salvação dos fiéis.

P: Suscipe sancta Trinitas hanc oblationem, quam tibi offerimus ob memoriam passionis resurrectionis et ascensionis Jesu Christi Domini nostri: et in honorem beatae Mariae semper virginis, et beati Joannis Baptistae, et sanctorum Apostolorum Petri et Pauli, et istorum, et omnium Sanctorum: ut illis proficiat ad honorem, nobis autem ad salutem: et illi pro nobis intercedere dignentur in coelis, quorum memoriam agimus in terris. Per eumdem Christum Dominum nostrum. Amen.

Orate Frates: Antes de entrar em recolhimento mais profundo, pela última vez até depois da Consagração, o sacerdote volta-se para os fiéis e dirige-lhes as seguintes palavras, convidados a orar:

P: Orate, fratres, ut meum ac vestrum sacrificium acceptabile fiat apud Deum Patrem omnipotentem.R: Suscipiat Dominus sacrificium de manibus tuis ad laudem et gloriam nominis sui, ad utilitatem quoque nostram, totiusque Ecclesiae suae sanctae.

Secreta: O celebrante responde "amem", e reza a oração conhecida antigamente como "Oratio super oblata", prece sobre as ofertas. Se chama secreta devido ser uma oração em que o padre faz uma solicitação do bem comum em voz baixa, diferenciando da coleta.

Tantis, Domine, repleti muneribus: praesta, quaesumus; ut et salutaria dona capiamus, et a tua numquam laude cessemus. Per Dominum nostrum Jesum Christum Filium tuum, qui tecum vivit et regnat in unitate Spiritus Sancti Deus, ...per omnia saecula saeculorum. R. Amen.

Fonte: Doutrina Católica - Manual de instrução religiosa para uso dos Ginásios, Colégios e Catequistas voluntários - Curso Superior - Terceira parte - Meios de Santificação - Liturgia - Livraria Francisco Alves - Editora Paulo de Azevedo Ltda - São Paulo; Rio de Janeiro; e Belo Horizonte - 1927

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