quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Catecismo Romano: "Creio no Espírito Santo" (Parte II)

Ninguém deve estranhar que a terceira Pessoa da Santíssima Trindade receba um nome próprio, como foi dado a Primeira e a Segunda Pessoa.

Tem nome próprio a Segunda pessoas, e chama-se filho, porque sua eterna origem do Pai se diz propriamente "geração". Isto foi explicado nas postagens anteriores. Por conseguinte, como aquela origem é designada pelo nome de geração, assim damos o nome próprio de Filho à pessoa que descende, e o de Pai a pessoa dal qual descende.

Como não se pôs designação particular a origem da Terceira Pessoa, vaio a ser chamar sopro ou possessão, segue-se que a pessoa produzida não leva nome próprio.

A razão de não haver nome próprio para a Pessoa do Espírito Santo é porque somos obrigados a tirar das coisas criadas os nomes que se atribuem a Deus. Ora, nelas não conhecemos outra maneira de comunicar natureza e essência, senão que se opera em virtude da geração. Daí nos faltam as propriedades de nos exprimir, em termo adequado, como Deus se comunica inteiramente a si próprio pela força do amor. Este é o motivo de chamarmos a Terceira Pessoa pelo nome comum de "Espírito Santo".

Reconhecemos porém, que o nome lhe vai com a máxima propriedade; porque é o Espírito Santo que nos infunde a vida espiritual, e, sem o sopro de seu poder santíssimo, nada logramos fazer que seja digno da vida eterna.

Dada a explicação do nome, deve os fiéis entender, em primeiro lugar, que o Espírito Santo é Deus, como o Pai e o Filho, igual a eles, da mesma onipotência, da mesma eternidade, de suma bondade, de infinita sabedoria, da mesma natureza que a do Pai e do Filho.

Esta igualdade é bem expressa pela partícula "em", quando dizemos: "Creio no Espírito Santo". Colocamo-la junto ao nome de cada pessoa da Santíssima Trindade para exprimir a extensão de nossa fé.

Ora, esta doutrina é corroborada por evidentes testemunhos da Sagrada Escritura. São Pedro disse, nos Atos dos Apóstolos: "Ananias, por que tentou Satanás teu coração para mentires ao Espírito Santo?" - e logo acrescentou: "Não mentistes aos homens, mas a Deus" (Atos 5, 3-4). Sem demora designou, como Deus, Aquele que antes chamara "Espírito Santo".

Na Epístola aos Coríntios, o Apóstolo referia-se ao Espírito Santo, quando falou Daquele que era Deus. "Há diversas operações, diz ele, mas é o mesmo Deus que tudo opera em todos". E pouco depois acrescentou: "Mas todas estas coisas são obras de um só e mesmo Espírito Santo, que as reparte a cada um, como é de seu agrado"(1Cor 12,6-11).

De mais a mais, nos Atos dos Apóstolos, atribui ao Espírito Santo o que os Profetas atribuíam unicamente a Deus.

Isaías havia declarado: "Ouvi a voz do Senhor que dizia: Quem hei de enviar? E falou-me: Vai, e dirás a este povo: Obceca o coração deste povo, endureceu-lhe os ouvidos, e cerra-lhe os olhos, para que não aconteça verem com os próprios olhos, e ouvirem com os próprios ouvidos".(Isa 6,8; 6,10).

Depois de citar estas palavras, o Apóstolo comenta: "Bem falou o Espírito Santo pela boca do profeta Isaías"(Atos 28,25).

Não há como duvidar da verdade deste mistério, já que a Escritura põe na mesma a pessoa do Espírito Santo com o Pai e o Filho, ordena por exemplo, empregar no Batismo o nome do Pai, e do Filho e do Espírito Santo (Mt 28,19). Realmente, se o Pai é Deus, e o Filho é Deus, somos obrigados a confessar que o Espírito Santo Também é Deus, pois, que lhes fica ligado pelo mesmo grau de dignidade.
 
Uma prova a mais é que nenhum fruto se pode tirar do Batismo conferido em nome de um criatura. "Porventura fostes vós batizados em nome de Paulo?" (1Cor 1,13) pergunta o Apóstolo, a fim de mostrar que tal batismo de nada lhes adiantaria para a salvação. Portanto, uma vez que os batizados em nome do Espírito Santo, cumpre confessar que Ele é Deus.

(Fonte: Catecismo da Igreja Católica - 1962 - Ed. Vozes)

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