Liturgia: Missa - Primeira parte, a preparação para o sacrifício

A primeira parte da missa abrange: 1º uma cerimônia preliminar, a aspersão; 2º preces aos pés do altar; 3º Intróito; 4º Kyrie eleison; 5º o Glória in excelsis; 6º Coletas.

Aspersão: É uma cerimônia preliminar que antecede, as vezes, a Missa Solene. O sacerdote atravessa a assistência, e lança-lhe água benta enquanto o côro canta:

Ant. Asperges me, Domine hyssopo et mundabor lavabis me et super nivem dealbabor miserere mei, Deus secundum magnam misericordiam tuam. Gloria Patri, et Filio, et Spiritui Sancto sicut erat in principio et nunc et semper et in saecula saeculorum Amen.

Asperges-me, Senhor com o hissopo e ficarei puro. Lava-me e ficarei mais branco que a neve. Tem piedade de mim, ó Deus segundo sua misericórdia infinita. Glória ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo, assim como era no princípio agora e sempre, por todos os séculos dos séculos. Amém

Como se vê nestas palavras, é uma cerimônia preliminar que tem por fim lembrar aos que vão assistir o santo sacrifício da missa a necessidade da pureza. Que sejam isentos de qualquer mácula, "mais alvos do que a neve". Nas missas rezadas, não há estes ritos; mas o padre, ao deixar a sacristia, toma água benta para fazer o sinal da cruz. Também os fiéis, entrando na igreja.

Salmo Judica me (Salmo 42): Depois de ter feito o sinal da cruz e recitado o versículo Introíbo, que faz de antífona, o padre começa a rezar o salmo Judica me que vai alternando com os ministros.

Este salmo que Davi compôs depois de seu crime e revolta do filho Absalão, quando ia fugindo da perseguição dos seus inimigos. O Rei Profeta exprime nele sentimentos de temor e de confiança. Anseia por voltar a Jerusalém e oferecer holocaustos ao Senhor. Treme como pecador diante do Juiz. E no entanto espera na misericórdia divina. As mesmas emoções dominam a alma do sacerdote que está para celebrar. Também a ele assusta a própria indignidade, a própria fraqueza. Porém, é maior e triunfa a confiança.

P: Judica me Deus, et discerne causam meam de gente non sancta: ab homine iniquo et doloso erue me.
R: Quia tu es Deus fortitudo mea: quare me repulisti, et quare tristis incedo, dum affligit me inimicus?
P: Emitte lucem tuam, et veritatem tuam: ipsa me deduxerunt, et adduxerunt in montem sanctum tuum, et in tabernacula tua.
R: Et introibo ad altare Dei: ad Deum qui laetificat juventutem meam.
P: Confitebor tibi in cithara Deus, Deus meus: quare tristis es anima mea, et quare conturbas me?
R: Spera in Deo, quoniam adhuc confitebor illi: salutare vultus mei, et Deus meus.
P: Gloria Patri, et Filio, et Spiritu Sancto.
R: Sicut erat in principio et nunc, et semper, et in saecula saeculorum. Amen.
P: Introibo ad altare Dei.
R: Ad Deum qui laetificat juventutem meam.
P: Adjutorium nostrum + in nomine Domini.
R: Qui fecit coelum et terram.

Confíteor. Misereator. Indulgentiam: Apesar da muita confiança que o Padre deposita na misericórdia de Deus, sabe perfeitamente que nunca será desanimada a pureza do coração de quem chega ao altar. E, por isso, reza o Confiteor:

R: Confiteor Deo omnipotenti, beatae Mariae semper virgini, beato Michaeli archangelo, beato Joanni Baptistae, sanctis Apostolis Petro et Paulo, omnibus Sanctis, et tibi, Pater, quia peccavi nimis cogitatione, verbo, et opere:mea culpa, mea culpa, mea maxima culpa. Ideo precor beatam Mariam semper virginem, beatum Michaelem archangelum, beatum Joannem Baptistam, sanctos Apostolos Petrum et Paulum, omnes Sanctos, et te, Pater, orare pro me ad Dominum Deum nostrum.

Com inclinação profunda acusa os pecados, publicamente, para melhor alcançar o perdão. Depois, o diácono e o subdiácono (os ajudantes na missa rezada) em nome dos fiéis suplicam a Deus que perdoe ao padre rezando o Misereatur:

R: Misereatur tui omnipotens Deus, et dimissis peccatis tuis, perducat te ad vitam aeternam.

Também eles rezam, por sua vez o Confiteor, e o padre reza o misereatur. A fim de atrair para si mesmo e para o povo a misericórdia divina, e o padre continua:

P: Indulgentiam, + absolutionem et remissionem peccatorum nostrorum, tribuat nobis omnipotens et misericors Dominus.

R: Amen.

O padre inclina mais uma vez implorando a misericórdia divina rezando:

P: Deus tu conversus vivificabis nos.
R: Et plebs tua laetabitur in te.
P: Ostende nobis, Domine, misericordiam tuam.
R: Et salutare tuum da nobis.
P: Domine exaudi orationem meam.
R: Et clamor meus ad te veniat.
P: Dominus vobiscum.
R: Et cum spiritu tuo.
P: Oremus.

Aufer a nobis, quaesumus Domine, iniquitates nostras: ut ad Sancta Sanctorum puris mereamur mentibus introire. Per Christum Dominum nostrum. Amen.

Assim, as últimas palavras do sacerdote, antes de ascender para o altar, faz uma saudação aos fieís (dominus vobiscum) e um convite a oração comum (Oremos). Ambos devem estar puros e santos para oferecerem um sacrifício eucarístico a Deus.

O sacerdote depois de subir no altar, e oscular a pedra sagrada, benze o incenso, com o sinal da cruz e incensa o altar, as relíquias dos santos e a cruz em sinal de honra e dignidade. Na Igreja Latina estas práticas de incensações foram introduzidas pelo século IX. Antes havia uma incensação única no ofertório. Os novos usos foram imitados da liturgia grega.

O Intróito: Nos primórdios do cristianismo não havia intróito. Apareceu no século IV, quando tinha cessado as perseguições. O culto podia então manifestar maior esplendor. No ato de entrada o padre e os ministros para não entrarem em silêncio lembravam de rezar um salmo que foi o intróito (intróito = entrada). O salmo escolhido tinha relação dom a festa do dia. Após modificações chegou ao que conhecemos hoje.

Kyrie Eleison: (Grego = Senhor tende piedade de nós) Pedido de perdão e misericórdia que remontam as origens do cristianismo, onde o povo reunido suplicava a Deus pela paz, tranqüilidade e progresso. O diácono propunha aos fiéis as intenções oportunas.

P: Kyrie eleison.
R: Kyrie eleison.
P: Kyrie eleison.
R: Christe eleison.
P: Christe eleison.
R: Christe eleison.
P: Kyrie eleison.
R: Kyrie eleison.
P: Kyrie eleison.

O Glória in excelsis: começa com o grito de glória dos pastores em Belém no nascimento de Jesus. As partes seguintes fazem uma reverência ao Pai Criador, ao Filho redentor e o Espírito santificador. É um hino de regozijo que se omite em missas votivas, no dia de finados e missas em tempos de penitência:

P: Gloria in excelsis Deo, et in terra pax hominibus bonae voluntatis. Laudamus te, benedicimus te, adoramus te, glorificamus te. Gratias agimus tibi propter magnam gloriam tuam. Domine Deus rex coelestis, Deus Pater omnipotens. Domine Fili Unigenite, Jesu Christe. Domine Deus, Agnus Dei, Filius Patris. Qui tollis peccata mundi, miserere nobis. Qui tollis peccata mundi, suscipe deprecationem nostram. Qui sedes ad dexteram Patris, miserere nobis. Quoniam tu solus sanctus, tu solus Dominus, tu solus altissimus, Jesu Christe, cum Sancto Spiritu, in gloria Dei Patris. Amen.
 
Coletas: (Latim = Assembléia) Na Igreja primitiva o padre se reunia com os fiéis para as celebrações dos santos mistérios. Ali cantavam salmos e os fiéis rezavam pelo sacerdote. O termo Coleta significa assembléia reunida. Esta oração que tem referência a festa do dia, tem como significado o padre que roga a Deus pelas intenções dos fiéis reunidos.

Fonte: Doutrina Católica - Manual de instrução religiosa para uso dos Ginásios, Colégios e Catequistas voluntários - Curso Superior - Terceira parte - Meios de Santificação - Liturgia - Livraria Francisco Alves - Editora Paulo de Azevedo Ltda - São Paulo; Rio de Janeiro; e Belo Horizonte - 1927

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