segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Liturgia: Vestes Eclesiásticas dos sacerdotes


Na postagem da semana passada, aprendemos um pouco sobre a origem das vestes eclesiástica, e aprendemos também quando estas começaram a se diferenciar das vestes seculares. Hoje iremos nos aprofundar sobre as vestes dos sacerdotes para o culto divino.

Paramentos Sacerdotais - Os paramentos dos sacerdotes para as celebrações litúrgicas são: o amito, a alva, o cíngulo, o manípulo, a estola e a casula.

O Amito (do latim "amicius", manto véu): O amito, consoante a etimologia do vocábulo, é um pano que cobre o pescoço e os ombros, ao modo de véu. Parece que foi adotado no século VIII. "Julgaram mais decente, diz Bento XIV, que o sacerdote, para celebrar, cobrisse o pescoço e os ombros". A este motivo de decência, acrescente um motivo de utilidade nos países frios. A princípio o amito envolvia a cabeça toda e era somente puxado para trás nos atos mais solenes da missa. Pelo século X, com a introdução do barrete, fora dispensado o uso do amito sobre a cabeça. Todavia algumas ordens religiosas conservaram o seu uso primitivo. Seu caráter simbólico, o amito, funciona como um capacete, lembra ao padre que ele é um soldado de Cristo a repelir os assaltos do demônio.

A alva: Originalmente a alva era uma túnica, que era utilizada tanto por clérigos como por leigos. Abandonada pelos leigos no século VI, essa túnica passou a ser distintivo do clérigo e pouco a pouco fora reservada para as celebrações litúrgicas. Essa túnica teve dois nomes na Igreja latina: Alva e Talar. Alva vem do latim "Alba" que quer dizer branca e Talar vem do latim "Talus" que quer dizer calcanhar, já que ela se estende até o calcanhar. A alva é símbolo da inocência e lembra a túnica de Nosso Senhor.

O Cíngulo: Cinta ou cordão que envolve a alva para não permitir que esta toque no chão, ou para que não fique muito folgada. No aspecto simbólico, o cíngulo, envolve os rins sendo portanto um sinal de castidade.

O Manípulo: Há divergências em sua origem etimológica. De fato, o manípulo no princípio, era um pano ou lenço que limpava o suor do rosto e das mãos do sacerdote no momento das celebrações. Tornou-se objeto litúrgico quando bordados e as rendas o transformaram em peça de luxo. No seu aspecto simbólico, o manípulo, lembra ao padre a servidão livremente preferida para a glória de Deus e salvação das almas.

A Estola: (Do latim "stola" veste roçante) Entre os romanos a estola era uma veste comprida, bastante parecida com a túnica. Diferia somente por ter muita renda e enfeites, de alto abaixo. A estola era vestido próprio das matronas mais afortunadas. Contudo vários personagens como Marco Antônio primeiro, Calígula e mais tarde outros imperadores efeminados vestiram, por cima das tolgas a stola matronal, de modo que esta peça passou a ser destinada para ambos os sexos. Mas como esta veste se tornou tão estreita e que agora chamamos de estola? Julga-se que foi simplesmente suprindo o vestido e conservando-se apenas a borda. Borda em latim quer dizer "ora". Daí a designação de orarium que as vezes se dá a estola. Fora estabelecida como paramento litúrgico no século VI, reservada apenas aos padres, bispos e diáconos. Assim colocada no pescoço, simboliza o julgo do Senhor que o padre tem de levar com coragem e pelo qual há de alcançar a imortalidade.

A Casula: (do latim "casula" casa pequena) A casula é um paramento litúrgico que os padres usam por cima da estola e da alva para a celebração da missa. Nas suas origens era um tecido largo e redondo com uma abertura no meio onde entrava a cabeça. Era de tamanho grande, envolvendo o corpo inteiro, como que enclausurando-o, abrigando-o em uma casa pequena. Usavam este vestuário tanto clérigos como leigos. Esta característica fora preservada na Igreja grega, mas na Igreja latina houve grandes transformações. Seu aspecto simbólico, se deve ao fato de a casula envolver os ombros, simbolizando o julgo do Senhor.

Fonte: Doutrina Católica - Manual de instrução religiosa para uso dos Ginásios, Colégios e Catequistas voluntários -
Curso Superior - Terceira parte - Meios de Santificação - Liturgia - Livraria Francisco Alves - Editora Paulo de Azevedo
Ltda - São Paulo; Rio de Janeiro; e Belo Horizonte - 1927

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