quarta-feira, 12 de outubro de 2011

4º FEIRA DAS QUATRO TÊMPORAS DE SETEMBRO

As quatro têmporas tratam-se, de tempos litúrgicos aos quais a Igreja dedica a penitência, a oração e a esmola. Provavelmente relacionada ao trabalho dos homens no campos, que tinham suas vidas mudadas de acordo com as Estações do Ano. Acredita-se que teriam surgido com a cristianização da Europa pagã por volta dos séculos III e IV. O Papa Gregório fixou as Têmporas da seguinte forma:

  • 3ª Semana do Advento (Têmporas do Advento)
  • 1ª Semana da quaresma (Têmporas da Quaresma)
  • Semana de Pentecostes (Têmporas de Pentecostes)
  • Semana do 17º Domingo depois de Pentecostes (Têmporas de Setembro)

Para termos uma noção mais simplificada sobre as têmporas, seria basicamente uma miniquaresma durante quatro vezes ao ano. Nesse período dedicamos nossas práticas de piedade pedindo perdão pelos pecados cometidos e em ação de graças pelos dons concedidos por ele a nós.

O profeta Amós tinha anunciado a destruição de Jerusalém e a sua próxima reedificação. Com efeito Nenemias reconduziu as tribos de babilônia e fez reconstruir a cidade. Quando acabaram os trabalhos, reuniu todo o povo no primeiro dia do sétimo mês e disse-lhes: Este é o dia do Senhor. Não vos contristeis, pois, porque a alegria do Senhor é a nossa fortaleza. A quarta-feira das têmporas de Setembro, que era outrora o sétimo mês do ano, recorda-nos o faustoso acontecimento da restauração de Jerusalém, na volta do cativeiro, que é a figura da nossa reconstrução em Deus por Jesus Cristo. E este júbilo de resgate anda unido com o recolhimento e a penitência com a cor roxa dos paramentos o denuncia. A Igreja hoje nos convida ao jejum e a oração para dominarmos por este meio o espírito da impureza e encontrarmos a misericórdia divina o remédio para as nossas faltas.

Primeira Leitura:

Leitura do Livro de Amós (9, 13-15) - Eis que vêm dias - oráculo do Senhor - em que seguirão de perto o que planta e o que colhe, o que pisa os cachos e o que semeia; o mosto correrá pelas montanhas, todas as colinas se derreterão. Restaurarei então o meu povo de Israel: reconstruirão as cidades devastadas e as habitarão; plantarão vinhas e beberão o seu vinho, cultivarão pomares e comerão os seus frutos. Implantá-los-ei no seu solo, e não serão mais arrancados da terra que lhes dei - oráculo do Senhor, teu Deus.

Segunda Leitura:

Leitura do Livro de Esdras (2 Livro de Esdras¹ 8, 1-10) : Naqueles dias: Todo o povo se reuniu então, como um só homem, na praça que ficava diante da porta da Água, e pediu a
Esdras, o escriba, que trouxesse o livro da Lei de Moisés, que o Senhor havia prescrito a Israel. O sacerdote Esdras trouxe a lei diante da assembléia de homens, mulheres e de todas (as crianças) que fossem capazes de compreender. Era o primeiro dia do sétimo mês. Esdras fez então a leitura da lei, na praça que ficava diante da porta da Água, desde a manhã até o meio-dia, na presença dos homens, mulheres e das (crianças) capazes de compreender; todos escutavam atentamente a leitura. O escriba Esdras postou-se num estrado de madeira que haviam construído para a ocasião; a seu lado encontravam-se, à direita, Matatias, Semeías, Anias, Urias, Helcias e Maasias; à esquerda, Fadaías, Misael, Melquias, Hasum, Hasbadana, Zacarias e Mosolão. Esdras abriu o livro à vista do povo todo; ele estava, com efeito, elevado acima da multidão. Quando o escriba abriu o livro, todo o povo levantou-se. Esdras bendisse o Senhor, o grande Deus; ao que todo o povo respondeu, levantando as mãos: Amém! Amém! Depois inclinaram-se e prostraram-se diante do Senhor com a face por terra. E Josué, Bani, Serebias, Jamin, Acub, Seftai, Odias, Maasias, Celita, Azarias, Josabed, Hanã, Falaías e outros levitas explicavam a lei ao povo, e cada um ficou no seu lugar. Liam distintamente no livro da lei de Deus, e explicavam o sentido, de maneira que se pudesse compreender a leitura. Depois Neemias, o governador, Esdras, sacerdote e escriba, e os levitas que instruíam o povo, disseram a toda a multidão: Este é um dia de festa consagrado ao Senhor, nosso Deus; não haja nem aflição, nem lágrimas. Porque todos choravam ao ouvir as palavras da lei. Neemias disse-lhes: Ide para as vossas casas, fazei um bom jantar, tomai bebidas doces, e reparti com aqueles que nada têm pronto; porque este dia é um dia de festa consagrado ao nosso Senhor; não haja tristeza, porque a alegria do Senhor será a vossa força.


1. Atualmente livro de Neemias

Evangelho do Domingo:

Continuação do Santo Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Marcos (Mc 9, 16-28): Naquele tempo: Jesus lhes perguntou: Que estais discutindo com eles? Respondeu um homem dentre a multidão: Mestre, eu te trouxe meu filho, que tem um espírito mudo. Este, onde quer que o apanhe, lança-o por terra e ele espuma, range os dentes e fica endurecido. Roguei a teus discípulos que o expelissem, mas não o puderam. Respondeu-lhes Jesus: Ó geração incrédula, até quando estarei convosco? Até quando vos hei de aturar?
Trazei-mo cá! Eles lho trouxeram. Assim que o menino avistou Jesus, o espírito o agitou fortemente. Caiu por terra e revolvia-se espumando. Jesus perguntou ao pai: Há quanto tempo lhe acontece isto? Desde a infância, respondeu-lhe. E o tem lançado muitas vezes ao fogo e à água, para o matar. Se tu, porém, podes alguma coisa, ajuda-nos, compadece-te de nós! Disse-lhe Jesus: Se podes alguma coisa!... Tudo é possível ao que crê. Imediatamente exclamou o pai do menino: Creio! Vem em socorro à minha falta de fé! Vendo Jesus que o povo afluía, intimou o espírito imundo e disse-lhe: Espírito mudo e surdo, eu te ordeno: sai deste menino e não tornes a entrar nele. E, gritando e maltratando-o extremamente, saiu. O menino ficou como morto, de modo que muitos diziam: Morreu... Jesus, porém, tomando-o pela mão, ergueu-o e ele levantou-se. Depois de entrar em casa, os seus discípulos perguntaram-lhe em particular: Por que não pudemos nós expeli-lo?


Lefebvre, Dom Gaspar. Missal Quotidiano e Vesperal. Bruges, Bélgica; Abadia de S. André, 1960.

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