sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Teologia Ascética e Mística: O castigo

Não tardou o castigo: o castigo pessoal, e da sua posteridade.

O castigo pessoal dos nossos primeiros pais é descrito no Gênesis. Mas ainda aqui aparece a bondade de Deus: poderia aplicar imediatamente a pena de morte a nossos primeiros pais; por misericórdia não o fez. Contentou-se de os despojar dos privilégios especiais que lhes tinha conferido, isto é, do dom da integridade e da graça habitual: conservam pois, a natureza e seus privilégios naturais. É certo que a vontade ficou enfraquecida, se a compararmos ao que era com o dom da integridade; mas não está provado que seja mais fraco do que teria sido no estado de natureza; em todo o caso, permanece livre e pode escolher entre o bem e o mal. Deus até quis deixar-lhes a fé e a esperança e fez imediatamente brilhar a seus olhos desalentados a visão de um libertador, saindo da raça humana, que um dia triunfaria do demônio e restauraria o homem decaído. Ao mesmo tempo, pela graça atual, solicitava aqueles corações ao arrependimento, e porventura não tardou o momento em que o pecado lhes foi perdoado.

Mas qual será a sorte da raça humana que nascerá da sua união? Será privada desde o instante de sua conceição, da justiça origina, isto é, da graça santificante e do dom da integridade. Estes dons puramente gratuitos, que eram, por assim dizer, um bem de família, só se haveriam de transmitir à posterioridade de Adão, se este permanecesse fiel a Deus; mas, como a condição não se cumpriu, nasce o homem privado da justiça original. Se Adão fez penitência e recobrou a graça, não foi senão como pessoa privada e por sua conta particular; não a pode, por conseguinte, transmitir à sua posteridade. Ao Messias, ao novo Adão, que desde este momento foi constituído cabeça da raça humana, é que estava reservado expiar as nossas culpas e instituir o sacramento da regeneração, para transmitir a cada batizado a graça perdida pelo primeiro homem.

Assim pois, os filhos de Adão nascem privados da justiça original, isto é, da graça santificante e do dom de integridade. A privação desta graça constitui o que se chama o pecado original, pecado em sentido lato, que não implica ato algum de nossa parte, senão um estado de decadência, e, tendo em conta o fim sobrenatural a que persistimos destinados, a uma privação, a falta de uma qualidade essencial que deveríamos possuir, e, por conseguinte, uma nódoa, ou mácula moral, que nos afasta do reino dos céus.

E, como o dom da integridade ficou igualmente perdido, arde em nós a concupiscência, a qual, se não lhe resistirmos corajosamente, nos arrasta ao pecado atual. Somos, pois, relativamente ao estado primitivo, diminuídos e feridos, sujeitos à ignorância, inclinados ao mal, fracos para resistir as tentações. A experiência mostra que não é igual em todos os homens a concupiscência: nem todos tem, efetivamente, o mesmo temperamento e caráter, nem, por conseguinte, as paixões igualmente fogosas. Uma vez, pois, que o freio da justiça original, que as reprimia, desapareceu, é natural, que as paixões retomando a sua liberdade, sejam mais violentas em uns, mais moderadas em outros, tal é a explicação de Santo Tomás (Suma Teológica I,II).

Devemos ir mais longe, e admitir com a escola Agostiniana, uma certa diminuição intrínseca de nossas faculdades e energias naturais? Não é necessário, e nada o prova.

O que podemos admitir com certos tomista que a queda nos enfraqueceu para a luta contras as tentações do demônio e neste sentido, que temos mais obstáculos a vencer, em particular a tirania que o demônio exerce sobre os vencidos e a supressão de certos auxílios naturais.


ciência: do Lat. scientia - s. f., :conhecimento rigoroso e racional de qualquer assunto; corpo de conhecimentos, sobre um determinado tema, obtido mediante um método próprio; domínio organizado do saber; conjunto organizado de conhecimentos baseados em relações objectivas verificáveis e dotados de valor universal; o conjunto das ciências; o universo da ciência; instrução; erudição;
saber fazer; arte, técnica. -s aplicadas: aquelas em que a pesquisa visa uma aplicação; -s exactas: as matemáticas; -s humanas: as que estudam o comportamento do homem, individual ou colectivamente;
- infusa: a que se supõe vinda de Deus por inspiração; -s morais: as que estudam os sentimentos, pensamentos e actos do homem; -s naturais: as que estudam os fenómenos e os seres que constituem o mundo físico, a Natureza; -s sociais: aquelas cujo objecto de estudo são os diferentes aspectos das sociedades humanas.

justiça - do Lat. justitia s. f., conformidade com o direito; acto de dar a cada um o que por direito lhe pertence; equidade; alçada; magistratura; conjunto de magistrados e das pessoas que servem junto deles; poder judicial.

(Fonte: Compêndio de Teologia Ascética e Mística - Ed. Apostolado da Imprensa - 1961 - 6ª edição)

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