terça-feira, 13 de setembro de 2011

preparação para a morte: A morte do Pecador

Angustia superveniente, pacem requirent, et non erit; conturbatio super conturbationem ve-niet. Sobrevindo a aflição, procurarão a paz e a não encontrarão; virá confusão sobre confusão (Ez 7,25-26)

PONTO I
Os pecadores afastam a lembrança e o pensa-mento da morte, e procuram a paz (ainda que jamais a encontrem), vivendo em pecado.
Quando, porém, se virem em face da eternidade e nas agonias da morte, já não poderão escapar aos tormentos de sua má consciência, nem encontrar a paz que procuram. Pois, como pode encontrá-la uma alma carregada de culpas, que, como víboras, a mor-dem? Que paz poderão gozar pensando que em bre-ve deverão comparecer ante Cristo Jesus, cuja lei e amizade desprezaram até então? “Confusão sobre confusão” (Ez 7,26).
O anúncio da morte próxima, a idéia de se sepa-rar para sempre de todas as coisas do mundo, os remorsos da consciência, o tempo perdido, o tempo que falta, o rigor do juízo de Deus, a eternidade infeliz que espera o pecador, todas estas coisas produzirão perturbação terrível que acabrunha e confunde o es-pírito e aumenta a desconfiança. E neste estado de confusão e desespero, o moribundo passará à outra vida.
Abraão, confiando na palavra divina, esperou em Deus contra toda a esperança humana, e por este motivo foi insigne o seu merecimento (Rm 4,18). Mas os pecadores, por desdita sua, iludem-se quando es-peram, não só contra a esperança, mas também con-tra a fé, quando desprezam as ameaças que Deus faz aos obstinados. Receiam a morte infeliz; mas não temem levar a vida má. Quem lhes dá, pois, a certeza de que não hão de morrer subitamente feridos por um raio? E ainda que tivessem nesse momento tempo de se converter, quem lhes assegura que realmente se converterão? Santo Agostinho teve de lutar doze a-nos para vencer suas más inclinações. Como é que um moribundo, que teve quase sempre a consciência manchada, poderá fazer facilmente uma conversão verdadeira, no meio dos sofrimentos, das dores de cabeça e da confusão da morte? Digo conversão verdadeira, porque então não bastará dizer e prome-ter com os lábios, mas será preciso que palavras e promessas saiam do fundo do coração. Ó Deus, que confusão e susto os do pobre enfermo que se des-cuida de sua consciência, quando se vir oprimido pe-lo peso dos pecados, do temor do juízo, do inferno e da eternidade! Que confusão e angústia produzirão nele tais pensamentos, quando se achar desfalecido, a mente obscurecida, e entregue às dores da morte já próxima! Confessar-se-á, prometerá, chorará, pedi-rá perdão a Deus, mas sem saber o que faz. Nesse caos de agitação, de remorso, de agonia e ansieda-de, passará à outra vida.
Diz com razão um autor que as súplicas, as lá-grimas e promessas do pecador moribundo são com-paráveis às do indivíduo que se vê assaltado por um inimigo que lhe aponta o punhal ao peito e o ameaça de morte. Infeliz quem cai de cama na inimizade de Deus, e dali passa para a eternidade!

AFETOS E SÚPLICAS
Ó chagas de Jesus, vós sois a minha esperança! Desesperaria do perdão de minhas culpas e da sal-vação eterna, se não vos mirasse como fonte de gra-ça e misericórdia, por meio da qual Deus derramou todo o seu sangue, a fim de purificar minha alma de tantas faltas cometidas.
Adoro-vos, pois, ó sacrossantas chagas! e em vós confio. Detesto e amaldiçôo mil vezes os praze-res indignos com que ofendi a meu Redentor e mise-ravelmente perdi sua amizade. Contemplando-vos renasce minha esperança, e se encaminham para vós as minhas afeições.
Ó amantíssimo Jesus, mereceis que todos os homens vos amem de todo o coração; e, apesar de que eu tanto vos haja ofendido e desprezado vosso amor, vós me haveis suportado e até convidado a procurar o perdão. Ah, meu Salvador, não permitais que vos torne a ofender e que me condene. Que tor-mento sofreria no inferno à vista do vosso sangue e dos atos de misericórdia que por mim fizestes! Eu vos amo, Senhor, e quero amar-vos sem cessar. Dai-me a perseverança; desenraizai do meu coração todo o amor que não seja o vosso e infundi em minha alma o firme desejo e a verdadeira resolução de não amar no futuro senão a vós, ó meu Sumo Bem.

Ó Maria, Mãe amorosa, guiai-me até Deus, e fa-zei que seja todo seu antes de morrer!

Fonte: Preparação para a Morte - Santo Afonso Maria de Ligório - Considerações sobre as verdades eternas - Tradução de Celso de Alencar - Versão PDF de FL. Castro - 2004

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