quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Catecismo Romano: "Morto e sepultado." (Parte V - Final)

Finalmente, destruindo o pecado, franqueou-nos a entrada para o Céu, à qual punha embargo a culpa comum do gênero humano. E o que o Apóstolo nos dá a entender com as palavras: "Em virtude do Sangue de Cristo, temos a confiança de entrar no Santo dos Santos" (Heb 10,19).

Na Antiga Aliança, não faltava uma figura deste mistério. Assim, por exemplo, aqueles proscritos, aos quais era defeso repatriar-se antes da morte do Sumo sacerdote (Num 30,25), eram uma figura dos justos que, apesar de sua justiça e santidade, não podiam transpor o limiar da Pátria Celestial, antes da morte de Jesus Cristo, o Sumo e Eterno Sacerdote (Heb 9,11). Logo que sofreu, as portas do Céu de pronto se abriram a todos os que, purificados pelos sacramentos, possuídos de fé, esperança e caridade, se tornaram participantes de sua Paixão.

Devemos ter noção de todos os dons divinos que nos advêm da Paixão e Morte de Nosso Senhor Jesus Cristo. Em primeiro lugar, porque sua morte é uma satisfação cabal, e em todos os sentidos a mais perfeita, que Jesus Cristo rendeu ao Pai pelos Nossos pecados, de uma maneira admirável. O resgate que pagou em nosso lugar, não só igualava com nossa dívida, mas era-lhe muito superior (Rom 5,19-21).

Em segundo lugar, por ter sido infinitamente agradável a Deus o sacrifício que o filho lhe ofereceu no altar da Cruz, e pelo qual abrandou inteiramente a cólera e indignação do Pai. Esta é a convicção do Apóstolo, quando nos afirma: "Cristo nos amou, e por este nosso amor se entregou a si mesmo, como oblação e vítima de suave odor para Deus" (Efe 5,2).

Em terceiro lugar, por ter sido o preço de nossa redenção, conforme as palavras do príncipe dos apóstolos: "Fostes resgatados de vossa vida frívola, que herdaste de vossos pais, não a preço de coisas perecíveis, como o são ouro e prata; mas pelo precioso Sangue de Cristo, como de um cordeiro sem mancha e defeito" (I Ped 1,18). E o Apóstolo ensina: "Cristo nos livrou da maldição da Lei, tornando-se Ele maldição por nossas causas" (Gal 3,13).

A par destes imensos benefícios, recebemos ainda outro que é talvez maior. Naquele único padecimento deu Nosso Salvador os mais brilhantes exemplos de todas as virtudes: "paciência, humildade, eximia caridade, mansidão, obediência; máxima constância, não só para sofrer dores, mas até para arrostar a própria morte, por amor da Justiça. Fê-lo de tal modo, que na verdade podemos dizer: Num só dia de sofrimento, concretizou em sim mesmo todas as normas de virtudes, que de boca nos havia ensinado, durante todo o tempo de Sua pregação.

Em poucas palavras, resumimos a salutar Paixão de Morte de Cristo Nosso Senhor. Oxalá possamos meditar assiduamente estes mistérios no fundo do coração, para aprendermos a sofrer, morrer e sepultar-nos com o Senhor. Se nos purificarmos, então, de toda a mancha de pecado, e ressurgirmos com ele para uma vida nova, seremos um dia, por sua graça e misericórdia, dignos de ter parte na glória e Reino do Céu (Col 3,1-4).

(Fonte: Catecismo da Igreja Católica - 1962 - Ed. Vozes)

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